2015-05-14

Poupanças

Bem o motivo directo é para falar sobre sobre a lingua portuguesa. Não, não é desta vez que vou falar sobre o acordo ortográfico. Fica para outro dia.

Sempre procurei utilizar programas (aplicações), livros, filmes, etc na versão em inglês. O que não me impede de eu escrever em português sempre que possível e apropriado.

Algumas pessoas até ficam admiradas sabendo que não domino particularmente essa língua (o argumento não colhe porque o meu português também não é nada que seja motivo de orgulho).

Hoje vou fundamentar a minha decisão num exemplo.

Ando à procura de uma gráfica, ou, como ainda se chama, loja de fotocópias. Sim tenho um impressora, mas uso-a pouco pelo que comprei uma de desempenho mediano. Quando - raramente - pretendo uma coisa de qualidade (ou uma grande quantidade) mais vale recorrer a uma loja ou empresa especializada que pode obter preços mais baixos devido a um uso mais racional de impressoras de boa qualidade. Sai mais barato a qualidade é maior e cria emprego. E é melhor para o ambiente.

As gráficas on-line são uma boa opção para algum tipo de trabalho. Não é preciso sair de casa e temos um maior controlo sobre o que está a ser feito.

Mas há problemas, este caso é de fácil solução, mas nem todas as asneiras assim o são.

Neste caso a gráfica propõe uma interface on-line para criação do documento. Boa ideia.



No entanto existe uma opção que me causou alguma perplexidade. A opção "Poupe". Bem certamente era uma referência a uma campanha promocional, ou, quiça, apenas para exaltar as poupanças económicas que o uso da empresa traduz para o consumidor. Mas não.

A pista vem evidentemente do simbolo de uma diskette que está junto. Já ninguém usa diskettes, claro, mas o simbolo continua a representar a opção "guardar".

"Guardar" estão a ver. Ou, em inglês "save". O termo "save" traduz-se frequentemente por "poupe" claro, apareçe muito nos supermercados e em todo o tipo de folhetos promocionais.

Mas neste caso a tradução "poupe" não faz qualquer sentido, É como dizer poupe aí este livro na gaveta. A tradução correcta é "guardar" ou talvez, aceitável, "guarde".

Evidentemente que a aplicação foi traduzida do inglês, que quem traduziu  não tinha a mais pequena ideia daquilo que estava traduzir (partindo do princípio que não foi uma tradução automática). O tradutor relembrou as suas aulas de empreendedorismo, campanhas promocionais, "save", "save", foi ao dicionário "poupe", estava lá, caso arrumado.

Para esta versão em português preferiria a versão em inglês - se estivesse disponível.

Ou da má preparação que existe nas nossas escolas, muitos querem estudar, e muito se ensina, as artes da impressão e tipografia, mas mais para as artes e menos para a tecnologia.

Ou do que resulta quando se paga amendoins e se obtém macacos. Poupanças - estão  a perceber.

E, claro, os 2 parágrafos anteriores estão relacionados.

Com gráficas assim as empresas vão perder mais tempo, obter folhetos de mais baixa qualidade e no fim ficamos todos a perder. E só vai haver dinheiro para pagar amendoins.

Seria muito melhor se estivesse tudo em inglês e ponto final. Claro que os utilizadores teriam de saber inglês, mas o conheçimento de inglês é de qualquer maneira indispensável.

Nota: não que estas confusões sejam exclusivas desta gráfica. Muito pelo contrário.


2015-05-07

Is the end of the world as we know it

Hoje há eleições no Reino Unido.

O mais provável será termos um governo dos conservadores + LibDem. Referendo sobre a UE à vista, cedências sobre o espaço de circulação, UK-exit?

Se não será Trabalhistas + Escoceses. Referendo sobre a Escócia à vista. Fim do UK?

As forças centrífugas não dormem.

O que provavelmente nem é tão mau como se possa pensar. Mas vão ser dias difíceis.

2015-04-19

Gravidade (2013)

Gravidade é um filme de FC. Pura e dura.

Não encerra nenhuma questão filosófica, apenas a tenacidade das pessoas sobreviverem, e protegerem quem lhes é próximo, no ambiente hostil que é o espaço, apesar do filme se passar todo as uns míseros 500 quilómetros da superfície da Terra.

E nisso (e não é pouco) é bom. Os detalhes estão todos bem vistos e toda a acção é muito realista.

Um daqueles filmes que se perde muito visto no cinema, Na verdade é difícil, ao seguir a acção, manter um olho nas excelentes imagens sobre a Terra que vão passando em fundo.

E claro a Sandra está impecável, apesar de já não ir para nova. Sempre um descanso para os meus olhos vê-la despir qualquer coisa, mesmo que seja só o fato espacial.

Se ainda não viu, não perca. Se já viu talvez queira voltar a ver, provavelmente o facto de já saber a história vai permitir dar um pouco mais de atenção às imagens de fundo.









http://en.wikipedia.org/wiki/Gravity_(film)

2015-04-18

Os Guardiões da Galáxia (2014)

Bem, posso dizer que NÃO estou divertido.

A FC de um modo geral casa mal com a comédia, e este filme de 2014 é um exemplo disso. Mesmo o "Marte Ataca", que ainda é o melhor que me lembro no género (e talvez tenha oportunidade de falar sobre esse filme) foi um filme que me deixou muito a desejar. Talvez os "homens de negro" seja o único filme do género que suportei. Tiradas as sequelas.

Claro que foi popular, mas a minha impressão é que foi popular por quem não aprecia FC. E, fora alguma piadas mais ou menos escatológicas não encontrei piada nenhuma.

Os heróis e os vilões são apenas uma imagem fraca do que já se tem visto na FC e na fantasia. O ideia é mesmo gozar com isso, mas nem nisso há nada de novo.

De resto é um percorrer de temas que já foram tratados até à exaustão, cenas coladas de outros locais.

http://en.wikipedia.org/wiki/Guardians_of_the_Galaxy_(film) (consultado em 2015-04-18)

http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Attacks! (consultado em 2015-04-18)

n.wikipedia.org/wiki/Men_in_Black_(film) (consultado em 2015-04-18)








2015-03-29

A Teoria do Big Bang (desde 2007)

Não estou a referir o paradigma actual sobre a evolução do Universo.

Estou a falar sobre a enormemente popular comédia norte-americana (é provavelmente a série mais vista nos Estados Unidos, uma fonte estimou que, em 2013, nos EEUU, foi vista na TV, por mais de 20 milhões, contra menos de 6 milhões que vêm a "Guerra dos Tronos") em exibição desde 2007.

Eu não vejo mais nenhuma outra comédia, com alguma regularidade mínima.

Tenho de fazer uma declaração de interesse pessoal. Já trabalhei numa grande (grande em todos os sentidos) universidade californiana e, na ocasião, compartilhei a minha habitação - 2 andares, mais uma sub-loja com máquinas e outro hardware - , de forma informal e algo caótica, com alguns colegas. Uns viveram mesmo lá durante 1 ou mais anos, outros só de passagem, outros pernoitaram ocasionalmente. O único que resta do meu tempo já fez 32 anos de casa. A esmagadora maioria eram jovens investigadores e/ou professores e/ou estudantes graduados nas áreas das ciência exactas. A sala maior tinha uma larga janela vitral. Tudo praticamente uma réplica da série.

( Diferenças importante: tínhamos um enorme e muito frondoso quintal , cheio de racons, esquilos, cobras cascavéis, tarântulas e, ocasionalmente, com ursos e veados, a casa e o jardim ainda lá estão e podem ser vistos nas fotos de satélite, por exemplo no google maps, 37.89020, -122.25944, na altura existiam menos casas. Não havia Internet.).

Não consigo aliás deixar de associar os personagens a pessoas específicas que conheci. (desafio: com quem acham que eu me identifico?).

Mas é ficção-científica? Bem, as opiniões podem divergir, mas sem dúvida que a ciência E a ficção-científica são eixos principais dos argumentos.

Acho a série muito divertida, acho os personagens credíveis (dada a latitude da crítica, que exagera os estereótipos), os cenários são realistas e a ciência é MUITO sólida. A tecnologia é MUITO sólida. E a filosofia. Mais, os episódios são curtos, 20 min., o que torna a sua visualização bem relaxante e eficaz.

Se tem algum interesse em FC, ou em ciência, veja a BBT. A ordem dos episódios é em boa medida arbitrária, depois de se entrar dentro de cada personagem. Umas fotos seguem.
















http://en.wikipedia.org/wiki/The_Big_Bang_Theory (consultada em 2015-03-29)

https://torrentfreak.com/game-of-thrones-most-pirated-tv-show-of-2013-131225/ (consultada em 2015-03-29)

2015-03-28

FC na TV

Devido ao enorme pressão pelas forças vivas do país, resolvi voltar a publicar a minha insanemente popular série "FC na TV".

Click no link abaixo para ver os posts já publicados, e cada dia vão aparecer mais no mesmo link.

http://lasers-na-selva.blogspot.pt/search/label/fc_na_tv


ATENÇÃO: todos os textos (mas não os links) foram escritos com o cuidado de não estragar o suspense. Recomendo que não vá ver os links antes de ver o filme.


Macacos, 12 (2015)

12 macacos é, até onde sei, a série de FC mas recente que corre na TV.

É inspirada no filme do mesmo nome de 1995 que teve sucesso que, em minha opinião, foi merecido. (e que por sua vez foi beber a outro filme, e etc).

Sendo inspirado não segue de modo nenhum a mesma história apesar de conservar uma das personagens mais interessantes do filme. Estou a falar do louco(?), filho de um magnate, que é foi desempenhado por Brad Pitt em 1995 (o personagem principal é o Bruce Williams, que é bastante activo em FC - Vício, Avatars tenho de falar sobre esses também). O louco é agora a louca, mas continua interessante, apesar de nunca ter compartilhado hospício com o protagonista, pelos que se sabe.

A Dra. Bem agora não é agora esse tipo de doutora, mas continua interessante.

Partindo do sucesso a fasquia estava alta. Além disso as histórias que envolvem viagens no tempo escalam mal, isto é, é difícil prolongar a história sem a coisa comece a fazer muito pouco sentido. Claro que um argumento que envolva viagens no tempo é sempre incompreensível (se você percebeu, então é porque não percebeu) mas isso pode ser interessante se a coisa não se perder com rodriguinhos e não se alongar (ver Continuum, sobre o qual espero escrever aqui, algures no tempo).

Pois estou bem impressionado. Nos 10 episódios já irradiados, a história mantêm-se interessante, minimamente coerente, e as representações são verosímeis.

Aparentemente no último episódio (s01e10) foi introduzido um novo paradigma. Aliás o meme já corre na internet "R é T" (não transcrevo tudo para não quebrar o suspense). As pistas estavam lá à muito, mas eram imprescrutáveis, até agora.

Não sei se R é T, ou não é (ninguém sabe, claro) mas abre a perspectiva de transformar a coisa numa (eterna?) luta entre aqueles que querem conservar a sua linha temporal, que consideram a legítima, onde estão as pessoas que amam, e os que tentam melhor algum presente, por exemplo, matando o Hitler em criança, mesmo que pagando o último preço de nunca terem existido.

Fico na perspectiva se os autores vão aproveitar a ideia (boa, mas algo óbvia) ou criar mais suspense seguindo noutra direcção.

E sim "12 não é primo", talvez pegue, é algo trivial e duvido que tenha alguma relevância na história mas pelo menos desperta nas pessoas alguma curiosidade. O quatro, o seis, o oito e o nove também não.

A série tem fragilidades. Alguns episódios da guerra pelo poder são inverosímeis.

Mas a primeira temporada já está ganha, apesar de ainda não ter terminado. Se aprecia FC e se tiver oportunidade veja a primeira temporada dos 12 macacos. As outras logo se verá. Mas em qualquer caso veja os epesódios pela ordem que forem  emitidos, sem saltar nenhum episódio. Falha em fazer isso pode resultar em dabos cerebrais

Ficam umas fotos por ordem caótica para não se deixar perceber alguma coisa.

















http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys (consultado em 2015-03-28)

http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys_(TV_series) (consultado em 2015-03-28)

2015-02-03

Source Code 2011

Não não vou estragar  a surpresa. Se ainda não viu o filme, vá ver e só depois clik  os links no fim. Para já fique a saber que foi um dos filmes que me surpreender mais - pela positiva - dos últimos


tempos. A história é simples e está bem construída e não vislumbrei qualquer "buraco", atendendo a que a histórias desta temática são sempre intrinsecamente incoerentes. 



Os actores dão bem conta do seu papel e nunca se sente que estão fora do aquário. Até tem uma (ou duas?) história de amor simples mas bem esgalhada.

SE aprecia FC, não deixe passar este filme. Se não aprecia também. É daqueles filmes que eu recomendo a quem não aprecia o género, a ver se mudam de opinião.

http://en.wikipedia.org/wiki/Source_Code (consultado em 2015-02-03)


2015-01-26

Uma tragédia na Grécia

As eleições na Grécia iniciaram uma experiência a nível europeu de um nível sem precedentes desde a queda da URSS.

Na minha modesta opinião o partido que ganhou as eleições, apesar do nome, tem um programa muito moderado, e tem tido um comportamento, que não pode deixar de ter a minha admiração.

Bem há aquela coisa de se ter aliado com um partido de direita, populista, xenófobo, homofóbico, e clerical, comparável à frente nacional em França. Não é um partido fascista (como a FN não o é) mas está claramente à direita da maioria dos partido com acento parlamentar na UE. Mas não estou suficientemente dentro dos detalhes da situação Grega para criticar de imediato.

A proposta do Syriza são de elementar bom senso e, se conseguissem reunir consenso no seio da União poderiam representar uma hipótese da Europa sair do profundo fosso a que, políticos sem visão e focados nos seus próprios interesses, a conduziram.

É evidente que a dívida grega, tal como a portuguesa, nunca será paga, e entretanto sacrificam-se gerações se qualquer sentido e, o que é pior, sem que esse sacrifício conduza a alguma coisa de melhor.

A arrojada experiência grega poderia conduzir as multidões que sentem, com razão, que estão a ser roubadas pelos cartéis de banqueiros e advogados, numa trajectória democrática e renovadora.

Dito isto, temo o pior. Não estou a ver como os poderes que gerem o capital internacional possam permitir que o Syriza cumpra o que prometeu.

E não estou a ver como os eleitores alemães vai aceitar pagar a conta.

Se o problema fosse só a Grécia talvez a situação fosse manejável, mas existe Portugal, Espanha, Itália e talvez mesmo a Irlanda (sim, são os PIIGS).

Se as troikas permitissem alguma renegociação substancial dariam um empurrão valente a partidos, novos ou antigos, para proporem medidas semelhantes.

Vamos-nos deixar de generalidades. O governo da Grécia vais, nos próximos meses, e como é óbvio aplicar o seu programa de governo. Como resultado a bolsa de Atenas vai cair e modo acentuado, o que não terá um impacto significativo sobre a economia mundial, já que a Grécia é apenas uma parte diminuta da economia global. Pelo mesmo motivo o euro irá sofrer alguma coisa, mas nada de muito importante.

Até aqui nada de especial. Um governo eleito democraticamente faz aquilo que acha que deve fazer.

O problema vai surgir quando a Grécia precisar de empréstimos no estrangeiro. E vai precisar, nos próximos meses.

Estes empréstimos não lhe vão ser concedidos. Não serão concedidos sem que a Grécia aplique um certo número de medidas que não vai poder adoptar sem o partido no poder implodir.

Na falta  desse dinheiro a Grécia entrará de imediato numa situação de crise económica e social. Não, a China a Rússia e a Venezuela não vão meter nenhum dinheiro.

A atempada entrega de ajuda de emergência (comida, roupas, medicamentos) por parte das agência comunitárias vai evitar uma crise humanitária, mas as percussões terão um alcance enorme.

Não posso acabar este artigo sobre a Grécia sem deixar de falar da morte de Demis Roussos (Artemios Ventouris-Roussos). A maior parte da obra dele não é do meu agrado. Até tinha um colega de faculdade que se lhe referia a ele através de um trocadilho do primeiro nome com o nome do órgão sexual viril.

No entanto é de assinalar alguns momentos notáveis na sua carreira como a interpretação do tema "Tales of the Future", incluído na banda do filme "Blade Runner".

De qualquer maneira deixo outra notável interpretação (até que o youtube corte a ligação). Demis Roussos é a voz, claro e Vangelis (Evangelos Odysseas Papathanassiou, a quem estavam destinados voos mais altos) está nas teclas e numa espécie de gaita . Como eles eram jovens e magros (e eu também).






2015-01-11

Arrumando o passado 1

Estive a ver o filme "Melody".

Vi a primeira vez esse filme no Verão de 72. Gostei bastante talvez porque era  jovem e estava apaixonado.

Jovem porém não era propriamente inocente, já integrado no meia académico que fervilhava.

Sabia que os filmes eram todos censurados na altura, mas não pensei que uma muito inocente história de amor na puberdade, tivesse criado algum problema com a censura. O filme exercita um certo voyarismo sobre os corpos pré-adolescentes, mas na altura isso não era ainda um crime ("Morte em Veneza", anyone?).

Entretanto o filme desapareceu do radar. Bem aparentemente passou outra vez em Lisboa no Verão de 75, certamente na versão integral, mas quem é que é que ia ao cinema uma banal história de amor em 75? Tinha de ser qualquer coisa mais forte como "If...", ou mesmo "a Laranja Mecânica" (sim o Malcolm esteve nos dois). Coisas que a censura não tinha deixado passar de todo.

Na TV, nunca o vi. O que é algo de espantar, até porque tem lá nomes forte, Bee Gees, Crosby, Stills, Nash and Young, (Sir) Alan Parker (cuidado não é Parsons - dark side of the moon - como eu quase ia escrevendo). Se calhar passou, mas eu não vi,

Talvez aquela coisa dos corpos pré-adolescentes tenha alguma coisa a ver com isso. O que, sei lá, talvez explique o enorme sucesso do filme no Japão (sim, vi o filme e estive a ver a wikipédia). No entanto a "Morte em Veneza" tem passado.

Felizmente a globalização veio em meu socorro é voltei a encontrar o filme. Como os anos 60 (data da localização do filme) parecem tão distantes.

E estava enganado. O filme tinha sido severamente editado pela censura, principalmente a parte anarco-bombista final que teria feito as minhas delícias na altura (se tivesse ao menos suspeitado). O que retrospectivamente faz todo o sentido (outra vez, se eu menos tivesse suspeitado). Como isso muda o filme, como o fim aparentemente trivial, anti-clímax diria, muda.

E sim, agora percebo porque é quando vi o filme "The Wall" me pareceu que já tinha visto aqueles cenários, e aquele mestre escola, em qualquer lado - a diferença está, claro, que eu já não era novo quando passou o "The Wall".

E um dia deste tenho de voltar a ver o "If...", que também desapareceu do radar - sim nesse era ainda novo e apaixonado.

http://en.wikipedia.org/wiki/Melody_(1971_film) (visitado em 2015-01-11)

http://en.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd_%E2%80%93_The_Wall (visitado em 2015-01-11)

http://en.wikipedia.org/wiki/If.... (visitado em 2015-01-11)

http://en.wikipedia.org/wiki/Death_in_Venice_(film) (visitado em 2015-01-11)

http://en.wikipedia.org/wiki/A_Clockwork_Orange_(film) (visitado em 2015-01-11)



2015-01-06

sobre o ISIS - Parte 3 (incertezas)

Dito o que foi dito restam algumas incertezas. Não que tenham muito  a ver com o ISIS, mas têm alguma coisa a ver com o ISIS.

O principal, se bem que muito hipotético, perigo para o status-quo no que se designa por médio oriente (o termo em si faz muito pouco sentido, mas pegou e o uso legitimou) será uma crise de sucessão na Arábia Saudita.

O processo de ascensão a chefe de governo é um processo obscuro e implica muitos jogos de poder dentro da classe dominante e, como todos os processos semelhantes, a luta pelo poder pode levar a desenvolvimentos muito sórdidos.

Não é inimaginável que alguma facção descubra que está em desvantagem para chegar ao poder, e resolva jogar cinicamente a carta do populismo radical islâmico para equilibrar as cartas. Alianças "com o demónio" para atingir ou manter o poder é uma coisa bem documentada historicamente.

Não que a actual família reinante não configure radicalismos islâmico. Mas não é populista.

Um golpe de estado palaciano populista poderia lançar as populações, que não conhecem muito mais que o alcorão, e que se sente oprimida por uma monarquia absolutista (apesar de viverem comparativamente bem, cortesia dos petrodólares) e que sente que a adesão dos governantes a religião é fundamentalmente circunstancial (e têm razão).

Alguma ajuda poderá mesmo vir dos emigrantes legais, que vivem muita situação quase sempre ao nível de escravatura, mas são muitos e deles depende o funcionamento da sociedade saudita. Os emigrantes vivem bem controlados, graça a uma polícia com poucos escrúpulos. Mas e se esse controlo falhar, mesmo que sejam umas horas? Ao contrário da população em geral  esses têm realmente razão de queixa e odeiam a família reinante, e na maioria nem sequer receberam, nem perto, os vencimentos que lhes foram prometidos.

Nesse cenário o ISIS pode ter algum envolvimento, e ganho, no terreno. Porém penso que uma ala mais tradicional no reino, apoiada pelos emiratos e pelos EUA terão a última palavra.

Também há um perigo de uma atentado terrorista em larga escala aos Estados Unidos ou à Europa. Não estou a falar de uma coisa como o 11 de Setembro.

O 11 de Setembro foi uma brincadeira de crianças. No ataque morreram um pouco menos que 3000 pessoas. É preciso por isso em respectiva. Provavelmente os acidentes de viação de quem ficou com medo de andar de avião mataram mais gente. Talvez 3000 emigrantes clandestinos morram todos os anos a tentar chegar a Itália, só conto os que tentam chegar a Itália e só durante uma ano, O mais recente surto de ébola  já deve ter matado 10000 pessoas nos últimos 9 meses.

Estou a falar de coisas que causem o pânico global, justificado ou não, em largos grupos populacionais, com grande queda económica, extensiva perda de valor de propriedades, crash na bolsa.

Estou a falar em rebentar com a barragem de Grand Coulee (47.95689, -118.97822) ou espalhar Estrôncio-90 sobre Manhattan (quando se dispõe de mão de obra descartável, mas MESMO descartável, abrem-se um enorme leque de possibilidades técnicas).

Esses cenários são altamente improváveis, mas não de todo impossíveis.

De qualquer maneira esse tipo de atentados terá muito pouco a ver com o ISIS. Se não for o ISIS será a Al Qaeda ou a Frente Popular da Judia.

Mais provável é uma ataque nuclear por misseis da Coreia do Norte a Tóquio, e isso não terá mesmo nada a ver com o ISIS. Penso ter lido algures que a frase "que possas viver em tempos interessantes" é uma espécie de maldição.

Links

https://www.schneier.com/blog/archives/2006/06/movieplot_threa_1.html (visitado em 2015-01-06)

https://en.wikipedia.org/wiki/Radioisotope_thermoelectric_generator (visitado em 2015-01-06)

https://en.wikipedia.org/wiki/Beta-M (visitado em 2015-01-06)

https://en.wikipedia.org/wiki/May_you_live_in_interesting_times (visitado em 2015-01-06)

https://www.youtube.com/watch?v=gb_qHP7VaZE  (visitado em 2015-01-06)


2014-11-30

sobre o ISIS - Parte 2 (futuro)

Qual o futuro do ISIS. Vejamos capítulo a capítulo.

Financiamento

O saque tem-se revelado uma actividade muito lucrativa, mas a sua repetição dará cada vez menos. Os resgates de prisioneiros também é uma actividade que vai diminuir à medida que o número de possíveis cativos lucrativos, dispostos a viajar para a região, for diminuindo.

O lucro com a venda de petróleo, principalmente através da Turquia, só pode diminuir. Para já o petróleo está barato, mas mesmo que aumente, os poços de petróleo são alvos fáceis par ataques aéreos. Não serão todos de um dia para o outro, mas é sempre muito  mais fácil de destruir, do que por de novo em funcionamento, para quem disponha de superioridade aérea indisputada. No caso do ISIS conseguir pôr a funcionar refinarias ou portos esses tornar-se-ão alvos bem mais fáceis que os poços.

Também o fluxo de dinheiro recebido dos estados xiitas prósperos da área (à frente a Arábia Saudita) tenderá a ser fortemente limitado. É um facto que religiosamente a ISIS é muito próxima das petro-monarquias. No entanto o facto de terem proclamado "o califado" faz arrepios na espinha dos monarcas da região, desafiando abertamente a sua legitimidade como chefes de estado. Como resultado irão reagir de modo a estancar esse fluxo. E não têm a reputação de ser meigos.

Em breve o ISIS vai precisar de alimentos, munições, manutenção, veículos e comida. Não estou a ver onde os vai obter e como vai pagar.

Recrutamento

O ISIS tem recrutado entre os xiitas no Norte do Iraque, de entre os convertidos à força, de entre fiéis a Saddam Hussein e entre comunidades muçulmanas por todo o mundo. Todas estas fontes estão próximas  já do seu limite (o recrutamento internacional é pequeno, apesar de grande cobertura mediática).

Muitos do combatentes do ISIS aliás só se mantêm na força porque receiam todo o tipo de represálias. Por isso o ISIS coloca os voluntários internacionais nos vídeos mais sangrentos, A mensagem é óbvia: se regressarem serão acusados de crimes contra a humanidade.

(Um programa que permitisse o regresso, com acusações mitigadas, em troco de colaboração,  informação, infiltração e propaganda seria uma boa ideia).

Território

O estudo da História é uma coisa útil. Em 1967 o Egipto preparava-se para atacar Israel, tendo junto forças armadas numa superioridade de 1 para 3. E tinha atrás de si o potencial militar e económico do bloco de leste.

No entanto, num ataque aéreo de surpresa, Israel destruiu a força aérea egípcia. A partir daí os aviões puderam destruir de modo metódico o exército árabe que incluía um elevado número de tanques. A guerra durou apenas 6 dias. Esse é o modelo contra o qual o ISIS se defronta, numa geografia semelhante (e muito diferente da geografia do Vietname onde a selva e o clima tornaram a aviação menos efectiva).

Todo indica que a coligação que se opõe ao ISIS vai manter a calma. Pode permitir-se ao luxo de deixar alguns ganhos territoriais, apoiando com ataques e abastecimentos aéreos todas as forças anti-ISIS na região.

Até onde pode ir o ISIS? Será talvez parado pelas forças curdas a N/NE. Mas mesmo que não o seja será parado pela Turquia. Para já a Turquia lucra com o conflito, ganha com o transito de petróleo do ISIS e enfraquece os curdos. Mas tudo mudará se sentir ameaça directa.

Mais a W poderá controlar a Síria, mas o controlo total da Síria é improvável, não impossível, mas improvável. Há por lá os xiitas também cabeça dura e com a ajuda da aviação, serão um factor bastante desgastante do ISIS.

O Líbano é um alvo possível mas não particularmente valioso.

A Jordânia quando esteve quase a ser anexada pela Síria em 1970 e escapou quando o rei pediu "auxílio proveniente de qualquer quadrante". Israel enviou os seus aviões a a Jordânia sobreviveu. Tudo indica que algo de semelhante se possa vir a passar, se o ISIS se deslocar para esse lado. Israel também dispõe das fotos remotas obtidas pelos americanos.

A autoridade palestiniana é também um alvo possível do ISIS, mas os recursos ganhos serão muito magros e a reputação muito manchada.

As forças do ISIS podem chegar à fronteira com a Arábia Saudita. Mas a Arábia Saudita tem umas forças armadas, incluindo aviação, bem preparadas e equipadas. E o apoio incondicional dos americanos.

A sul o ISIS faz frente com o Iraque xiita. Sobre a linha de Badgad - onde as seitas têm a sua linha de separação - os combates podem ser ferozes e incertos, mas é improvável que o ISIS faça um avanço significativo sobre o coração xiita do Iraque mais a sul.

A Este fica o Irão. Não é verosímil que o Irão ceda um metro de terreno aos seus arqui-inimigos. Muito mais fraco estava o Irão nos anos 80 e não cedeu.

Ao jeito de conclusão

De momento o ISIS vai manter o território que ocupa, usando as populações como escudo e cometendo ao mesmo tempo as barbaridades a que nos tem habituado. Não é bonito, mas também não vejo o que se possa fazer. As vítimas poderão resistir usando lasers para marcar alvos, o que será uma boa ajuda, mas não podem fazer muito mais, e mesmo isso será a um custo pessoal elevado.

O ISIS pode escavar túneis para escapar aos bombardeamentos, mas o que é que vão lá pôr? Para quê? Podem esconder tropas, mas as tropas nos subterrâneos têm pouco impacto militar.

Podem incendiar poços de petróleo, que não há muito mais coisa para arder, mas os efeitos serão limitados e com isso vão destruir uma possível fonte de rendimento (nada bom para o ambiente concedo).

O ISIS pode desencadear ataques suicidas muito sangrentos em qualquer ponto da região, usando muçulmanos xiitas infiltrados. Pode mesmo fazer atentados nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá, se bem que nesse caso o mais provável é que esses ataques venham de pequenos grupos obscurantistas cuja inspiração tanto pode vir do ISIS com da Al-Qaeda, como de qualquer outra força que lhes pareça apropriada.

O Oriente terá de aprender a viver com essa ameaça. Vais ser muito sangrento, mas sem real valor militar. Lambam as feridas e habituem-se. Isto inclui, à escala mais reduzida, Israel.

O Ocidente terá de aprender a viver com essa ameaça, que permanecerá muito para além do ISIS, É uma ameaça estatisticamente pouco significativa, mas o pânico pode ser gerado. Evitem aglomerações e habituem-se.

Também há o perigo da América ser levada a enviar tropas para o terreno. Não estou a ver como pode ter necessidade disso, mas a pressão da opinião pública pode causar essa tentação. Será um erro. As mesmas opiniões públicas serão as primeiras a gritar quando começarem a ver os corpos a voltar em sacos, mesmo que num número não significativo.

Mas à medida que o tempo passar o ISIS será casa vez mais desgastado. Não tem o tempo do seu lado.

Os muçulmanos no ocidente serão obrigados a tomar posição, mesmo que seja não tomarem posição nenhuma, o que será didáctico.

E, claro, uma gestão de inteligente da situação pela administração Obama pode dar aos democratas as eleições em 2016, altura pela qual o ISIS terá passado os seus melhores tempos. Um desenvolvimento muito positivo. Não é certo mas podemos ter uma certa esperança.

sobre o ISIS - Parte 1 (presente)

Algures para os lados dos rios Tigre e Eufrates, numa zona que tecnicamente é parte da Síria e do Iraque, um abominável bando de inspiração religiosa está a executar uma  cruel limpeza étnica e religiosa, mesmo pelos parâmetros  de região onde a convivência nunca foi uma coisa fácil.

Mas grupos semelhantes noutras zonas do globo, mas a uma pequena escala.

É um episódio da quarta guerra mundial, travada entre o Islão e os Estados Unidos da América (se bem que multifacetada) assunto que merece alguma análise, mas não é exactamente sobre isso que vou escrever de momento.

Não faltam teorias conspiratórias que atribuem o ISIS (sigla que vou usar para designar o que também é referido por "estado islâmico", "estado islâmico do Iraque e da Síria", "estado islâmico do Iraque e do Levante") a uma criação dos EUA ou de Israel.

Como a maioria das teorias conspiratórias não tem pés nem cabeça, mas os seus defensores têm alguns pontos em que estão certos.

Na realidade o ISIS está claramente a fazer um favor aos EEUU, supondo que os americanos não fazem algum enorme disparate (o que não é impossível, mas é pouco provável).

Nota-se que o surgimento do ISIS foi algo que quase ninguém esperava e que o seu sucesso inicial foi uma prova da fraqueza e falta de preparação dos poderes na região.

Nada de novo aqui. Os movimentos fanáticos religiosos têm essa particularidade de surgirem praticamente do nada, sem quase ninguém prever, e obterem ganhos militares inimagináveis.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com os talibãs, de que ninguém tinha ouvido falar até 1994 e em 1996 tomaram Cabul. E o que aconteceu quando surgiu Joana d'Arc, numa altura em que qualquer observador informado vaticinava o fim da França (a ser integrada na Inglaterra, tal como a Holanda e a Bélgica), surgiu sabe-se lá de onde, tem supostamente visões divinas, e em 2 ou 3 anos muda de forma inesperada o curso da História. E quando um grupo de pastores nómadas, possivelmente polvilhado de Judeus, avançou do deserto da Península Arábica para dominar uma larga fatia do que tinha sido o mundo antigo. Um fenómeno tipicamente medieval portanto.

Bem mas porque é que eu digo que o ISIS está a facilitar a vida aos americanos?

Em primeiro lugar por uma questão ideológica. Muitas forças de base laica e anti-americana terão dificuldade em defender as barbaridades feitas pelo ISIS, o que vai dificultar a sua visão da História.

Em segundo lugar por motivos religioso. Não tenho dúvida que a maioria dos que professam a fé islâmica e vivem fora do médio oriente, juntamente com a maioria dos sunitas que vivem no médio oriente têm admiração pelo ISIS. Afinal até parece que os Islão está a ganhar o que num registo muito simples joga bem com as previsões do Corão para o fim dos tempos.

Alguns teóricos do Corão bem vão vir a terreno argumentar que é uma interpretação demasiado literal do texto, mas terão dificuldade em explicar como é que chegaram a essa conclusão. Afinal muitas das ideias e actos do ISIS estão bem de acordo com o que vem escrito de modo muito claro e dificilmente aberto a interpretações. E se começamos a interpretar o texto ao sabor das opiniões e ocasiões onde vamos parar? De qualquer maneira o ponto é que os crentes de base estão a gostar do ISIS.

Na realidade o ISIS é um tigre de papel. O seu domínio tem base territorial na zona predominantemente sunita, vagamente  do norte do Iraque e de parte da Síria  (excluindo a zona mais montanhosa e/ou a NE e ponta S do Iraque onde também existem sunitas, mas os sunitas errados). Note-se que esta zona é fundamentalmente desértica e pouco habitada.

A sua base de recrutamento tem sido as populações sunitas, nessas zonas e arredores, o que inclui muitos antigos militares do regime de Saddam Hussein e muitos dos que tinham prestado juramento a Osama bin Laden, mas vêm agora uma melhor oportunidade. Junte-se muitos sunitas iraquianos que se ressentem de terem perdido a posição de privilégio que tinham antes do americanos terem invadido o país. e que goram perderem para os tangencialmente maioritários xiitas. E alguns sauditas. Sim muito medieval.

O seu principal financiamento tem sido, bem em primeiro lugar o saque, nomeadamente da populações, das instituições, o o que apanharam  das tropas que desertaram do Iraque. Fonte importante de financiamento é a venda de petróleo no mercado negro. Mas suspeito que a principal financiamento vem de cidadãos prósperos das prósperas monarquias do Golfo que dão dinheiro para as caridades para o fim de obterem um lugar no paraíso, com as respectivas mordomias.

O dinheiro das caridades segue um caminho quem nem consigo perceber, grande parte acabará certamente nas madrassas religiosas onde servirá para fazer a lavagem ao cérebro aos jovens. Mas a maior parte será muito provavelmente para comprar armas e alimentar as acções bélicas.

2014-11-14

Leiam os meus lábios: É a fixação!

Em resposta a várias interpelações e para não ter de estar a re-escrever mais ou menos a mesma coisa, dou aqui a resposta.

Primeiro tenho de exprimir o óbvio, que não fico nada satisfeito quando sondas europeias, americanas, russas, chinesas, indianas ou outras falham. E sendo a possibilidade de experiências no espaço pequena, mesmo os piores falhanços têm lições e dão muito material de estudo.

Dito isto não fico muito satisfeito quando as necessidades das relações públicas esmagam completamente a produção de informação actualizada e correcta.

Já me bastou quando a URSS enviava sondas (chamavam-se  todas "Cosmos") , não indicavam o objectivo, falhavam completamente a trajectória e o controlo logo à partida. Depois anunciavam que o objectivo era - e sempre tinha sido -  "estudar o espaço interplanetário" e declaravam a missão um sucesso.

Enquanto estou a escrever isto a situação revele-se pior que o que eu tinha antes pensado, mas sejamos irracionalmente optimistas e tenhamos esperança que algumas manobras correctivas possam vir a ter êxito, mesmo que parcial. 

Mas vamos aos detalhes.

A pequena sonda continha a promessa de dar contribuições muito importantes para dois assuntos de extrema importância em ciência, nomeadamente para a compreensão do "ciclo hidrológico"  a nível do sistema solar e da compreensão de como e onde as (primeiras?) moléculas orgânicas se formaram ou se podem ter formado.

No caso do estudo da água era ponto crítico a medição das razões isotópicas que são, como dizer, a "certidão de vida narrativa completa" das substâncias quando em quantidade suficientemente grande para se poder usar estatística (provavelmente uma grama dividida por um milhão é suficiente, se bem que há muitos parâmetros a tomar em conta).

No caso das substâncias orgânicas era importante determinar, bem em primeiro lugar se existiam, e depois quais seriam. As razões isotópicas também têm importância se bem que o caso é mais complicado, bem a vida é uma química muito complicada.

Vamos ao filme.

Quando eu comecei a seguir a manobra de aterragem em directo, faltariam aí uns 15 minutos o início da janela de incerteza em torno da hora de pouso. Adoro ver acontecimentos históricos em directo do conforto do sofá. Isso já vem do tempo da missão apollo na década de 60. (Claro que refiro-me ao tempo "visto da Terra", as escalas de tempo são escorregadias como o caraças). Os meus twets da altura ainda devem poder ser vistos no lado direito deste blog, todos os meus tweets são aqui registados para dar alguma vida ao blog.

Quando fui actualizar nas notícias mais recentes fiquei imediatamente muito preocupado. No lado bom a sonda pequena tinha-se separado correctamente da portadora, MAS havia a informação que os foguetões a bordo da sonda pequena pequena não estavam a funcionar. Ainda agora não sei como eles tinham concluído isso, mas o facto não parecia merecer muita dúvida nem muita atenção.

No entanto deveria ter merecido muita atenção. Era óbvio que essa tornava muito problemática a fixação da sonda ao cometa extremamente problemática. É que a questão não é só acertar com o cometa. A principal dificuldade é fixar de modo sólido a sonda ao cometa. Isso é feito facilmente em corpos celestes maiores porque a gravidade prende as sondas ao chão, mas a gravidade no cometa é ridiculamente pequena (teoricamente a gravidade até ser "negativa" neste tipo de corpos devido ao formato pouco redondo e à velocidade de roatação em torno de um eixo próprio, mas não creio que seja o caso, e aliás se tal acontecer algures no espaço deve ser um caso raro).

Esse tipo de fixação estava previsto mas as foguetões infelizmente avariados eram uma parte crucial do processo. E sem uma boa amarração as experiências críticas não poderiam ser realizadas. Isso era sabido antes do contacto, mas ainda agora isso não é dito de modo muito claro.

Repito: ainda antes do poiso se sabia que as experiências cruciais dificilmente seriam realizadas e ainda agora parece que o facto não é bem esclarecido.

Quando pessoal começou a saltar de contente pela aterragem eu comecei a procurar informação sobre a fixação. Nada. Depois lá disseram qualquer coisa mas o que disseram foi mentira, ou pelo menos a verdade muito muito processada. Não referenciavam quando estavam a falar sobre o que se tinha passado e sobre o que era suposto ter-se passado. E claro, estavam a dar a informação com um atraso que não era compatível com o que deveria ter acontecido com um bom contacto. Falhado o processo da primeira vez ficaria extremamente admirado se conseguissem à segunda ou à terceira.

Aliás tenho a notícia da reuters que garantia que a sonda estava "seguramente ancorada". Não estava, não está e salvo um milagre nunca estará. As principais experiências nunca poderão ser feitas.

Mesmo as experiências de sondagem eléctrica "vertical", uma parte importante, não podem dar resultados interessantes se os contactos não estiverem em firme contacto com o solo (trivia: eu fiz muita sondagem eléctrica vertical). Tal como não podem ser obtidas amostras interessantes sem perfuração (a superfície é alterada e desinfectada pela radiação e vento solar) e a perfuração é impossível sem fixação (conservação dos momentos mecânicos).

E tiveram azar. A sonda depois de, pelo menos, 2 saltos, foi parar a um buraco escuro onde é difícil apanhar a luz do sol necessário para recarregar as baterias e caiu quase de pernas para o ar. 

Aliás suspeito que se está a tentar branquear a questão ao dizer que o azar foi cair à sombra de um penhasco. Isso foi um azar, mas o principal problema é que não está fixado à superfície e provavelmente está num buraco porque a fixação não funcionou quando caiu a primeira vez numa zona mais favorável e foi parar ao buraco.

Foi um fracasso completo? Bem, não foi, eu daria um 20 num escala de 0 a 100. Talvez escreva mais sobre o assunto mas só depois da senhora gorda ter cantado. Agora tenho de ir tomar banho para apanhar a minha boleia para o super-mercado.



2014-09-30

Sítios

A última vez que andei por aqui foi em 2000, quando de uma estada em Macau, atravessava a foz do Rio das Pérolas, no hovercraft, para aqui nos fins de semana:

Agora voltou a estar nas notícias

Ver a foto aqui: http://goo.gl/QVVxG2  GPS:(22.27960, 114.16602)

à esquerda da passagem superior o Centro Comercial do Almirantado (por cima as Torres do Almirantado) e à direita os novíssimos escritórios do governo central.

2014-09-08

Sítios

Durante um ano, circa 1986,  vivi nos EEUU, enquanto era investigador convidado da Universidade de Califórnia em Berkeley.

A casa, que compartilhei com 2 colegas (mais ou menos) ainda lá está, em, mas entretanto construíram uma outra mesmo em cima, no que era o uma parte do nosso jardim, reino dos racoons (Ursus lotor, Linnaeus, 1758). Voltei lá em 2004 e ainda encontrei um antigo residente.

A zona ficou muito mais povoada nos últimos 25 anos, o que a tornou muito menos encantadora. Já em 2004 era assim.

Ver a casa em: http://goo.gl/yrQK2G  (37.89011, -122.25944)

Use o rato para navegar o local,

Entretanto a parte de baixo da Avenida Euclides, onde eu costumava almoçar e fazer as compras do dia, continua com o mesmo aspecto. As lojas mudaram quase todas de nome, de tipo de comida, de ramo, e provavelmente de dono, mas o aspecto geral continua exactamente na mesma.

No link: http://goo.gl/PESmLR (37.87525, -122.26017)

pode ver-se essa parte, mesmo à direita está o enorme bar onde íamos, todas as sextas e por tradição, comer uns peticos e beber cerveja,

Do lado direito está uma entrada secundária da Universidade, o meu edifício era juntinho a essa entrada.

Já na altura era completamente impossível estacionar na zona pelo que ia e vinha habitualmente a pé da residência. Era 1/2 hora em cada sentido, o meu exercício diário - 5 km.

ver o caminho aqui: http://goo.gl/n8MMLS , com alguns dos seus variantes.

Um dos hábitos era ir em grupo fazer as compras semanais ao supermercado. Ir em grupo diminuía o número de carro e permitia a algum visitante sem carro abastecer-se.

O nosso supermercado putativo era o "safe way". Deixamos o carro no parque de estacionamento desse supermercado e fazíamos um raide pelas lojas da área. Em Portugal ainda não estava divulgado o hábito das compras semanais ao hipermercado, o Continente de Alfragide tinha acabado de abrir.

O supermercado ainda existe e pouco mudou, tal como as lojas na área.

ver em: http://goo.gl/2NGkDu   (37.88110, -122.26961)

Berkeley era um mundo cheio de referências culturais e históricas. Ainda irei voltar nestas páginas à baía, mas para já deixo apenas uma foto de uns dos locais onde viveu Philip K. Dick, na rua Francisco.

casa do Dick-> http://goo.gl/2ugUig  ( 37.87276, -122.29193 )


2014-09-07

Sítios

As cataratas do Niagara, quem não ouviu falar?

No entanto não muitos saberão que em 1885 foi construído perto uma central hidroeléctrica aproveitando a energia potencial da água na parte superior das cataratas.

Com geradores Westinghouse baseados nas ideias então revolucionárias de Tesla, foi dado o primeiro  e fundamental passo na direcção da electricidade ao domicílio.

Na foto aparece o que resta do canal de admissão de água para a central, cerca de 1 km à montante das cataratas propriamente ditas.

(canal de admissão: http://goo.gl/SmlCpi )   (43.07947, -79.04602)

A central propriamente dita ainda existe (museu) mas não é visível da estrada devido às árvores. do outro lado da estrada (usar o rato para rodar a imagem).

Estive aqui pelo última vez em 2006, e ainda pude levar o carro mesmo até ai acesso, o que actualmente não é permitido.

(ver tabuleta a interditar o acesso aqui: http://goo.gl/YqJc4Y  )

Sítios

A primeira imagem de que me recordo foi aqui. Morava periodicamente em casa da minha avó nesta "vivenda" que na altura tinha um quintal até à falésia, e a falésia surgia na minha imaginação como um local místico e intransponível.

A vivenda ainda lá está, um pouco degradada e cercada de muitos prédios maiores que não existiam. Mas está lá. Apesar de esta imagem - de momento - ser de 2009 ainda há alguns dias passei nessa rua.

(Ver aqui: http://goo.gl/HJtrkk )   (38.65237, -9.23348)

Sítios

A Internet dá-nos a possibilidade de rever sítios longínquos sem ter de fazer viagens. Não há nada como estar mesmo nos sítios, mas entre tanta coisa que há para ver não é muito significativo voltar a locais que já se conhece bem.

Nos anos de 1979 a 1982 passava todos os anos 1 ou 2 meses no "Quarteirão Latino" em Paris. Afinal o Maio de 68 tinha sido apenas à pouco mais de 10 anos.

O Hotel ainda lá está, o "Grande Hotel Oriental" no n. 2 da rua de Arras. Acaba sempre por ocupar um pequeno, mas muito pequeno quarto, com uma janela muito pequena no segundo andar. Mesmo que o quarto não estivesse imediatamente disponível, era só esperar uns dias que vagasse.

Escolhia sempre esse quarto porque era muito barato. A década de 80 não foi uma década fácil, era difícil comprar coisas no estrangeiro, com muita limitação ao dinheiro que se podia transferir. Portanto era um luxo gastar divisas  que iam todas para objectos essências como electrónica fotografia e livros. Como eram caros os rolos fotográficos e como era grande a tentação de os gastar numa cidade como Paris.

 ( ver a janela aqui:  http://goo.gl/haO7of  )  (48.84752, 2.35176)

Também está na mesma, até a papelaria onde todas a tardes, já a horas avançadas e depois de sair do laboratório comprava o "O Mundo" do dia seguinte. Depois ia ler o jornal para o quarto, não havia Internet (em 1982 já existia o Minitel, mas só na Universidade).

( ver a papelaria aqui:  http://goo.gl/u6w4Hx  )  (48.84763, 2.35216)

A menos de 200 metros continua a Faculdade de Ciências de Paris.

(ver Jussieu aqui:  http://goo.gl/08Gp2N  ) (48.84726, 2.35343)

Voltei lá várias vezes, a última vez cerca lá pelo fim dos anos 90, mas pelo que posso ver está tudo muito na mesma, bem há umas construções novas em Jussieu e foi removido o amianto.