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2015-10-02
Interlúdio
Apesar da relevância coloco só para tentar que o meu blog não seja sempre ilustrado por uma foto de um comboio - tirada há anos atrás. Vamos ver se funciona. Roubado ao nad et al. que roubou ao quino.
O que eu voto 2/3 - Os programas e as ideologias
É um exercício frequente comparar "programas eleitorais", "compromissos eleitorais", "posição dos partidos".
Até há quem dirija cartas aos partidos a pedir-lhes que tomem posição sobre um certo número de questões e publique as respostas recebidas - ou a falta de resposta.
Esqueçam.
Um partido que resolvesse só prometesse fazer aquilo que estava razoavelmente certo de poder fazer iria partir com um handicap tremendo. Houve um deputado(?) qualquer do CDS, creio eu, que disse que nenhum partido poderia ganhar as eleições se não mentisse nas campanhas. Grande burburinho de todos os quadrantes. Mas estava cheio de razão (e provavelmente arruinou a sua carreira, provando que estava cheio de carradas de razão).
Depois terão sempre uma explicação a dar. É o resultado da crise mundial. Das imposições de Bruxelas. Do estado em que o governo anterior deixou o país. Dos fascistas, Dos comunistas. De não terem a maioria absoluta. De estarem em coligação. Das alterações climáticas. Tudo assuntos sobre os quais não tinham a mais pequena ideia à data das eleições.
Mas então ficamos sem bússola que nos possa guiar? Nem tanto. Podemos fazer uma leitura ideológica, quer directamente que por análogos (proxies).
Vamos portanto fazer uma análise ideológica (por ordem alfabética). Uso as designações mais correntes. O CDS é o CDS/PP e o PSD é o PPD/PSD.
BE
O BE é o novo miúdo no quarteirão. MAS leia-se o que digo do LIVRE.
Honestamente não gosto de blocos nem de frentes. Só se compreendem para satisfazer grandes desígnios nacionais e felizmente por pouco tempo. A hsitória mostra que rapidamente se destroem ou uma parcela hegemoniza.
Sendo o novo miúdo tem a vantagem de não transportar o peso da história passada. Vantagem para eles e dificuldade para a minha análise.
Na génese do BE estão, sem dúvida, personagens que vêm da área marxista-leninista (versões estalinita, trotskista e maoista, estão lá todas). Todas os dirigentes, passados ou presentes, e que é possível ligar a alguma ideologia, vêm dessa área.
Foram pessoas que, no virar do milénio, perceberam que as forças onde militavam só se mantinham vivendo na ilusão de um mundo que não existia. E que não tinham qualquer margem de manobra.
Se fizeram isso com verdadeiro espírito de mudança ou penas buscaram a oportunidade possível, talvez nunca venhamos a saber.
Marxismo-leninisto cujos resultados a nível mundial foram tremendamente catastróficos, sem uma única história de sucesso, e particularmente gravosos em assuntos de que o BE faz bandeira com a tolerância, o ambiente, a liberdade de expressão, a solidariedade social, o fim da corrida de ratos pelo ordenado ao fim do mês. Bandeiras que são também minhas.
Sim, está tudo no manifesto. Mais um.
Felizmente - para a minha avaliação - o BE foi a única força política que apoiou o Syriza. O PCP disse que apoiou mas estava a fazer figas de trás da costas.
Sim isso permitiu desmascarar a Alemanha, país em que aparentemente o BE tinha muita confiança. Sim a dívida era negociável pela Grécia (ou por Portugal) em condições muito vantajosas. A europa e os estados unidos iam ficar em pânico pela aproximação aos enormes recursos dos BRIC. Se não fosse a Alemanha. Hitler de saias.
CDS
Resumo: O CDS é um partido conservador de direita. O mundo estava certo à 100 anos e qualquer coisa que se passou depois, era melhor não se ter passado (ou seja, os nossos avós é que estavam certos).
O CDS tem várias faixas que têm coexistido razoavelmente bem.
Há uma primeira faixa que vem regime anterior a 1974. Todos os políticos que exerciam a sua actividade de forma legal, ou abandonaram a política foram para 2 partidos. A saber: CDS ou o PSD.
Para o CDS vieram os que nunca tinham feito nenhuma crítica aos pilares fundamentais do antigo regime. O outros foram para o PSD (ver PSD). Foi dessa altura que se afirmaram centristas, numa perspectiva de se distanciarem do regime deposto. Aparentemente na altura não havia partidos de direita, desvio que todas as forças sentiram.
Numa segunda faixa estão os monárquicos. Apesar do Salazar ter feito deles gatos-sapato, nunca tiveram coragem de deixar de o apoiar, com a mítica ilusão que o fascismo português poderia, depois da morte do Salazar, instaurar a monarquia, como em Espanha, apesar que nunca terem recebido nenhuma indicação sólida que isso poderia acontecer. Ficam no entanto satisfeitos quando os seus parceiros retiram o 5 de Outubro e faltam à comemoração. Continuam a contenta-se com pouco.
Finalmente há uma terceira faixa dos que não são monárquicos e nasceram depois de 1950. São actualmente maioritários e, ideologicamente, não se diferenciam muito das 2 faixas anteriores, excepto na questão de regime, mas a monarquia não lhes repugna. Por isso coexistem todos bem.
Pensam que a solução para o país está no bucolismo e numa industria dominada por patrões-capitalistas imaginadamente preocupados com os piores aspecto da vida dos pobres - enquanto isso não influir nos seus negócios e estilo de vida. Ao estilo da encíclica "Rerum Novarum" e suas sequelas.
LIVRE et al
O LIVRE é o novo NOVO miúdo no quarteirão. Tudo o resto leia-se o que disse para o BE. Mutatis mutandis.
Marinho e Pinto (partido do)
Imagino que o partido tem um nome, mas não me lembro.
Não é a primeira vez que um partido vive de uma pessoas (lembram-se do PR?). Mas caramba o Ramalho Eanes tinha sido presidente da República 10 anos e o arquitecto do 11 de Novembro. O Marinho foi bastonário 2 ou 3 anos.
MRPP
O MRPP vive numa contradição dialéctica. Linha vermelho ou preta? Saldanha Sanches ou Arnaldo Matos? Mao Zedong ou Deng Xiaoping? Morte aos traidores ou apenas orelhas de burro? Aliança com o PCP ou tomada total do poder? Saída da União Europeia ou da Europa?
PCP
Resumo: O PCP é marxista-leninista e o seu modelo é a URSS. A URSS que vem explicada na "História do PC da US". Mais sobre o ML no capítulo do BE.
Desde que Álvaro Cunhal assumiu a secretaria geral, expulsando os desviaconisas (vários significados) e os pacifistas, que o PC tem uma linha clara e abrangente. Não são conhecidas dissidências graves que não tenham levada à expulsão num rápido intervalo de tempo e mesmo dissidências moderadas conduzem ao ostracismo, mesmo que dentro do partido. Sem perdão. Como resultado não há senão uma faixa.
Até à queda da União Soviética as ideias eram bem claros. Em Moscovo estava a ser construído um homem novo, à imagem do qual todo o mundo, mais cedo ou mais tarde, iria aderir, construindo um mundo de paz, prosperidade, felicidade, liberdade e tolerância. Basta ler um qualquer exemplar do Avante para ver como isso é claro. E, é justo dizer, acreditavam MESMO nisso, bem pelo menos a grande maioria, que não ponho a ideia de que existem alguns para os quais o partido é ou foi o modelo de negócio.
Curiosamente depois do desmembramento regime soviético continuam a pensar exactamente o mesmo. E, não duvido, a acreditar.
Nunca teve qualquer dúvida em apoiar os solavancos da história, de Budapeste (retrospectivamente) a Praga, do Afeganistão a Angola. Da Ucrânia à Síria. Nunca o PCP deixou de apoiar a Rússia e em troca recebeu os recursos que lhe permitiram secar muito terreno à volta. Mesmo quando se tratou de apoiar o Estado de Israel, e depois deixar de apoiar, nunca existiu nenhum desvio de percurso. Tudo muito bem explicado à posteriori.
Essa fé inabalada e inabalável num passado e num futuro míticos dão uma certa paz de espírito e funcionam mesmo como atracção para quem gosta de ter uma solução simples para todos os problemas do mundo e uma explicação, ainda mais simples, para todos os males. Efeito nirvana.
PS
O PS surgiu quando o Mário Soares, no anos 60, se procurou posicionar. Teve a sorte, o saber, ou a intuição, de ver que o PCP tinha secado toda a esquerda (ver PCP) e que o regime vigente em Portugal não tinha futuro, a começar pela sua incapacidade de resolver a questão colonial.
Portanto colocou-se na posição da ala mais esquerda da internacional (socialista). Mais esquerda no sentido que em Portugal se assistiu, na década de 70, a uma compreensível viragem à esquerda de todo o espectro (mesmo o CDS se dizia do centro, ver CDS).
Mas fez isso antes da queda do regime. Não o tivesse feito e outros políticos poderiam ter feito um partido social democrata em Portugal. Por exemplo o PSD (ver PSD). Mas embora a internacional socialista tenha alguma latitude ideológica nunca em nenhum país existiu mais que um partido filiado nessa organização, pelo que me lembro.
Com a chegada ao poder de Reagan e Tatcher o PS teve uma crise na correlação de poder. As forças mais conservadoras acharam que estava na altura de liquidar também a internacional socialista. Juntamente com a URSS. Foram parcialmente bem sucedidas na primeira parte e totalmente na segunda.
O facto de o PS não se poder financiar nas elites, como o faz o PSD e o CDS torna-o mais vulnerável a negociatas, ainda menos claras que as negociatas do PSD e do CDS. E muito mais fáceis de atacar em tribunal.
O PS não tem faixas, mas um contínuo espelhando a internacional. Da social-democracia ao socialismo (penso que tem poucos trabalhistas).
PSD
O PSD foi formado pelos políticos que antes do 25 de Abril, exerciam a sua actividade de forma legal mas tinham alguma oposição de fundo ao regime que estão acabou. Vulgo: "a área liberal".
Não tivessem os capitães saído à rua, a maioria deles teria sido cilindrado pelo regime, ou então ter-se-iam arrependido e sido aceites de volta.
Tendo corrido as coisas como correram existiu uma onda de adesão à social democracia, num Portugal de 70 com uma tendência compreensível de viragem à esquerda. Talvez alguns por oportunismo. Talvez alguns numa convicção genuína.
Essa primeira faixa é hoje residual, se bem que exista. Por um lado porque quem já andava na política nos anos 70 é agora septuagenário.
Mas a principal causa que definhou essa faixa foi o facto do PS ter roubado essa bandeira (ver PS).
Outra faixa é constituída pelos liberais. Os que acham que as famílias e os estados devem seguir uma lógica de boas contas sem gastar mais do que aquilo que têm e que o estado se deve colocar numa posição minimalista, tatcharistas, dizem-se eles. Posição que até pode fazer algum sentido até se perceber que essas boas práticas não se estendem ao sector financeiro da economia que pode usar o dinheiro que não tem. Curiosamente muitas das pessoas que defendem essas ideias estão ligada ao sector financeiro, deve ser coincidência, e não perdem nenhuma oportunidade para trepar na máquina do estado e sector-estado. Quando não, alimentam-se frequentemente na mesa do orçamento através de uma série de contratos atribuídos de modo realmente liberal - e subsídios.
Mas a terceira, e mais numerosa, faixa no PSD é simplesmente a faixa daqueles que estão a tratar da vida. Fizerem uma leitura da situação e concluíram que, durante a sua esperança de vida, é a melhor posição para uma vida mais próspera.
Alguns elementos dessa faixa vêm de partidos marxistas-leninistas, estalinistas ou maoistas, o que lhes permitiu juntar a inspiração liberal, com o que aprenderam sobre disciplina partidária, a "unidade face ao exterior" e a capacidade de obedecer às ordens, mesmo quando não são dadas.
MAS AFINAL EM QUEM É QUE EU VOU VOTAR?
Para já posso dizer que, salvo algo realmente inesperado, vou votar, mas só digo amanhã para ver se a CNE me manda prender.
Até há quem dirija cartas aos partidos a pedir-lhes que tomem posição sobre um certo número de questões e publique as respostas recebidas - ou a falta de resposta.
Esqueçam.
Um partido que resolvesse só prometesse fazer aquilo que estava razoavelmente certo de poder fazer iria partir com um handicap tremendo. Houve um deputado(?) qualquer do CDS, creio eu, que disse que nenhum partido poderia ganhar as eleições se não mentisse nas campanhas. Grande burburinho de todos os quadrantes. Mas estava cheio de razão (e provavelmente arruinou a sua carreira, provando que estava cheio de carradas de razão).
Depois terão sempre uma explicação a dar. É o resultado da crise mundial. Das imposições de Bruxelas. Do estado em que o governo anterior deixou o país. Dos fascistas, Dos comunistas. De não terem a maioria absoluta. De estarem em coligação. Das alterações climáticas. Tudo assuntos sobre os quais não tinham a mais pequena ideia à data das eleições.
Mas então ficamos sem bússola que nos possa guiar? Nem tanto. Podemos fazer uma leitura ideológica, quer directamente que por análogos (proxies).
Vamos portanto fazer uma análise ideológica (por ordem alfabética). Uso as designações mais correntes. O CDS é o CDS/PP e o PSD é o PPD/PSD.
BE
O BE é o novo miúdo no quarteirão. MAS leia-se o que digo do LIVRE.
Honestamente não gosto de blocos nem de frentes. Só se compreendem para satisfazer grandes desígnios nacionais e felizmente por pouco tempo. A hsitória mostra que rapidamente se destroem ou uma parcela hegemoniza.
Sendo o novo miúdo tem a vantagem de não transportar o peso da história passada. Vantagem para eles e dificuldade para a minha análise.
Na génese do BE estão, sem dúvida, personagens que vêm da área marxista-leninista (versões estalinita, trotskista e maoista, estão lá todas). Todas os dirigentes, passados ou presentes, e que é possível ligar a alguma ideologia, vêm dessa área.
Foram pessoas que, no virar do milénio, perceberam que as forças onde militavam só se mantinham vivendo na ilusão de um mundo que não existia. E que não tinham qualquer margem de manobra.
Se fizeram isso com verdadeiro espírito de mudança ou penas buscaram a oportunidade possível, talvez nunca venhamos a saber.
Marxismo-leninisto cujos resultados a nível mundial foram tremendamente catastróficos, sem uma única história de sucesso, e particularmente gravosos em assuntos de que o BE faz bandeira com a tolerância, o ambiente, a liberdade de expressão, a solidariedade social, o fim da corrida de ratos pelo ordenado ao fim do mês. Bandeiras que são também minhas.
Sim, está tudo no manifesto. Mais um.
Felizmente - para a minha avaliação - o BE foi a única força política que apoiou o Syriza. O PCP disse que apoiou mas estava a fazer figas de trás da costas.
Sim isso permitiu desmascarar a Alemanha, país em que aparentemente o BE tinha muita confiança. Sim a dívida era negociável pela Grécia (ou por Portugal) em condições muito vantajosas. A europa e os estados unidos iam ficar em pânico pela aproximação aos enormes recursos dos BRIC. Se não fosse a Alemanha. Hitler de saias.
CDS
Resumo: O CDS é um partido conservador de direita. O mundo estava certo à 100 anos e qualquer coisa que se passou depois, era melhor não se ter passado (ou seja, os nossos avós é que estavam certos).
O CDS tem várias faixas que têm coexistido razoavelmente bem.
Há uma primeira faixa que vem regime anterior a 1974. Todos os políticos que exerciam a sua actividade de forma legal, ou abandonaram a política foram para 2 partidos. A saber: CDS ou o PSD.
Para o CDS vieram os que nunca tinham feito nenhuma crítica aos pilares fundamentais do antigo regime. O outros foram para o PSD (ver PSD). Foi dessa altura que se afirmaram centristas, numa perspectiva de se distanciarem do regime deposto. Aparentemente na altura não havia partidos de direita, desvio que todas as forças sentiram.
Numa segunda faixa estão os monárquicos. Apesar do Salazar ter feito deles gatos-sapato, nunca tiveram coragem de deixar de o apoiar, com a mítica ilusão que o fascismo português poderia, depois da morte do Salazar, instaurar a monarquia, como em Espanha, apesar que nunca terem recebido nenhuma indicação sólida que isso poderia acontecer. Ficam no entanto satisfeitos quando os seus parceiros retiram o 5 de Outubro e faltam à comemoração. Continuam a contenta-se com pouco.
Finalmente há uma terceira faixa dos que não são monárquicos e nasceram depois de 1950. São actualmente maioritários e, ideologicamente, não se diferenciam muito das 2 faixas anteriores, excepto na questão de regime, mas a monarquia não lhes repugna. Por isso coexistem todos bem.
Pensam que a solução para o país está no bucolismo e numa industria dominada por patrões-capitalistas imaginadamente preocupados com os piores aspecto da vida dos pobres - enquanto isso não influir nos seus negócios e estilo de vida. Ao estilo da encíclica "Rerum Novarum" e suas sequelas.
LIVRE et al
O LIVRE é o novo NOVO miúdo no quarteirão. Tudo o resto leia-se o que disse para o BE. Mutatis mutandis.
Marinho e Pinto (partido do)
Imagino que o partido tem um nome, mas não me lembro.
Não é a primeira vez que um partido vive de uma pessoas (lembram-se do PR?). Mas caramba o Ramalho Eanes tinha sido presidente da República 10 anos e o arquitecto do 11 de Novembro. O Marinho foi bastonário 2 ou 3 anos.
MRPP
O MRPP vive numa contradição dialéctica. Linha vermelho ou preta? Saldanha Sanches ou Arnaldo Matos? Mao Zedong ou Deng Xiaoping? Morte aos traidores ou apenas orelhas de burro? Aliança com o PCP ou tomada total do poder? Saída da União Europeia ou da Europa?
PCP
Resumo: O PCP é marxista-leninista e o seu modelo é a URSS. A URSS que vem explicada na "História do PC da US". Mais sobre o ML no capítulo do BE.
Desde que Álvaro Cunhal assumiu a secretaria geral, expulsando os desviaconisas (vários significados) e os pacifistas, que o PC tem uma linha clara e abrangente. Não são conhecidas dissidências graves que não tenham levada à expulsão num rápido intervalo de tempo e mesmo dissidências moderadas conduzem ao ostracismo, mesmo que dentro do partido. Sem perdão. Como resultado não há senão uma faixa.
Até à queda da União Soviética as ideias eram bem claros. Em Moscovo estava a ser construído um homem novo, à imagem do qual todo o mundo, mais cedo ou mais tarde, iria aderir, construindo um mundo de paz, prosperidade, felicidade, liberdade e tolerância. Basta ler um qualquer exemplar do Avante para ver como isso é claro. E, é justo dizer, acreditavam MESMO nisso, bem pelo menos a grande maioria, que não ponho a ideia de que existem alguns para os quais o partido é ou foi o modelo de negócio.
Curiosamente depois do desmembramento regime soviético continuam a pensar exactamente o mesmo. E, não duvido, a acreditar.
Nunca teve qualquer dúvida em apoiar os solavancos da história, de Budapeste (retrospectivamente) a Praga, do Afeganistão a Angola. Da Ucrânia à Síria. Nunca o PCP deixou de apoiar a Rússia e em troca recebeu os recursos que lhe permitiram secar muito terreno à volta. Mesmo quando se tratou de apoiar o Estado de Israel, e depois deixar de apoiar, nunca existiu nenhum desvio de percurso. Tudo muito bem explicado à posteriori.
Essa fé inabalada e inabalável num passado e num futuro míticos dão uma certa paz de espírito e funcionam mesmo como atracção para quem gosta de ter uma solução simples para todos os problemas do mundo e uma explicação, ainda mais simples, para todos os males. Efeito nirvana.
PS
O PS surgiu quando o Mário Soares, no anos 60, se procurou posicionar. Teve a sorte, o saber, ou a intuição, de ver que o PCP tinha secado toda a esquerda (ver PCP) e que o regime vigente em Portugal não tinha futuro, a começar pela sua incapacidade de resolver a questão colonial.
Portanto colocou-se na posição da ala mais esquerda da internacional (socialista). Mais esquerda no sentido que em Portugal se assistiu, na década de 70, a uma compreensível viragem à esquerda de todo o espectro (mesmo o CDS se dizia do centro, ver CDS).
Mas fez isso antes da queda do regime. Não o tivesse feito e outros políticos poderiam ter feito um partido social democrata em Portugal. Por exemplo o PSD (ver PSD). Mas embora a internacional socialista tenha alguma latitude ideológica nunca em nenhum país existiu mais que um partido filiado nessa organização, pelo que me lembro.
Com a chegada ao poder de Reagan e Tatcher o PS teve uma crise na correlação de poder. As forças mais conservadoras acharam que estava na altura de liquidar também a internacional socialista. Juntamente com a URSS. Foram parcialmente bem sucedidas na primeira parte e totalmente na segunda.
O facto de o PS não se poder financiar nas elites, como o faz o PSD e o CDS torna-o mais vulnerável a negociatas, ainda menos claras que as negociatas do PSD e do CDS. E muito mais fáceis de atacar em tribunal.
O PS não tem faixas, mas um contínuo espelhando a internacional. Da social-democracia ao socialismo (penso que tem poucos trabalhistas).
PSD
O PSD foi formado pelos políticos que antes do 25 de Abril, exerciam a sua actividade de forma legal mas tinham alguma oposição de fundo ao regime que estão acabou. Vulgo: "a área liberal".
Não tivessem os capitães saído à rua, a maioria deles teria sido cilindrado pelo regime, ou então ter-se-iam arrependido e sido aceites de volta.
Tendo corrido as coisas como correram existiu uma onda de adesão à social democracia, num Portugal de 70 com uma tendência compreensível de viragem à esquerda. Talvez alguns por oportunismo. Talvez alguns numa convicção genuína.
Essa primeira faixa é hoje residual, se bem que exista. Por um lado porque quem já andava na política nos anos 70 é agora septuagenário.
Mas a principal causa que definhou essa faixa foi o facto do PS ter roubado essa bandeira (ver PS).
Outra faixa é constituída pelos liberais. Os que acham que as famílias e os estados devem seguir uma lógica de boas contas sem gastar mais do que aquilo que têm e que o estado se deve colocar numa posição minimalista, tatcharistas, dizem-se eles. Posição que até pode fazer algum sentido até se perceber que essas boas práticas não se estendem ao sector financeiro da economia que pode usar o dinheiro que não tem. Curiosamente muitas das pessoas que defendem essas ideias estão ligada ao sector financeiro, deve ser coincidência, e não perdem nenhuma oportunidade para trepar na máquina do estado e sector-estado. Quando não, alimentam-se frequentemente na mesa do orçamento através de uma série de contratos atribuídos de modo realmente liberal - e subsídios.
Mas a terceira, e mais numerosa, faixa no PSD é simplesmente a faixa daqueles que estão a tratar da vida. Fizerem uma leitura da situação e concluíram que, durante a sua esperança de vida, é a melhor posição para uma vida mais próspera.
Alguns elementos dessa faixa vêm de partidos marxistas-leninistas, estalinistas ou maoistas, o que lhes permitiu juntar a inspiração liberal, com o que aprenderam sobre disciplina partidária, a "unidade face ao exterior" e a capacidade de obedecer às ordens, mesmo quando não são dadas.
MAS AFINAL EM QUEM É QUE EU VOU VOTAR?
Para já posso dizer que, salvo algo realmente inesperado, vou votar, mas só digo amanhã para ver se a CNE me manda prender.
2015-09-26
O que eu voto 1/3 - o que se pode prever com elevado grau de certeza
Como hábito vou dizer em quem voto e porquê. Tudo explicadinho. No passado nunca votei em diversos partidos dependendo da minha análise da situação e vou voltar a fazê-lo.
Primeiro lugar é preciso estudar o cenário.
As sondagens são altamente manipuláveis. Os resultado são sempre uma estimativa e portanto estão por definição exactamente certos. Um dia ainda hei-de escrever a explicar como (suspeito) são feitas as sondagens para tornar isso mais claro.
O que é quase sempre um disparate são as margens de erro. Pode-me ter escapado alguma, mas todas as que vi dão um intervalo de confiança de 95% para uma margem de erro que é rigorosamente igual a 1 a dividir pela raiz quadrada do número de entrevistados.
Embora geralmente os detalhes sejam escondidos por quem faz as sondagens - mau augúrio - esse facto indica que usam um modelo altamente irrealista para estimar a margem de erro.
Aliás se as margens de erro estivessem realisticamente calculadas 95% das sondagens (isto é 19 em cada 20), conhecidos os resultados nas urnas, concordariam com os resultados finais, tomadas as margens de erro. Ora no acumulado de muitas sondagens que têm vindo a ser feitas ao longo de 40 anos de democracia o certo é que tal não se passou, nem pouco mais ou menos. A estatística não pode funcionar umas vezes e não funcionar noutras. Se o conjunto de todas as sondagens não segue a estatística enunciada por todas e cada uma deles alguém anda a fazer mal as contas.
Dito isto as sondagens não são completamente inúteis. Os resultados com a convicção que tenho na leitura que faço do dia a dia permite-me tirar as minhas seguintes previsões.
(a) a PAF e o PS vão compartilhar entre si o 1º e o 2º lugar, quer em número de deputados quer em número de votos.
(b) a BE e a CDU vão compartilhar entre si o 3º e o 4º lugar, quer em número de deputados quer em número de votos.
(c) Não será possível nenhuma maioria parlamentar (absoluta) que não inclua pelo menos um dos 2 partidos PS ou PSD.
(d) O CDS+PSD+PS podem ter 2/3 de deputados, isso não é certo, mas e a única combinação que pode eventualmente atingir esse valor.
Quanto estou seguro destas minhas previsões? Bastante seguro. Se alguém tem previsões que contradigam estas e estiver bem seguro talvez queira apostar um almoço comigo num restaurante simpático a combinar. Caramba, aposto 2 contra 1. Se ninguém quiser apostar, passo a considerar isto como facto.
Tomo também com provável, mas não garantido, que a CDU terá mais votos que o BE e que o partido do MPinto e o Livre-TA poderão no total ter entre 1 e 3 deputados. Mais nenhuma força irá eleger deputados.
Primeiro lugar é preciso estudar o cenário.
As sondagens são altamente manipuláveis. Os resultado são sempre uma estimativa e portanto estão por definição exactamente certos. Um dia ainda hei-de escrever a explicar como (suspeito) são feitas as sondagens para tornar isso mais claro.
O que é quase sempre um disparate são as margens de erro. Pode-me ter escapado alguma, mas todas as que vi dão um intervalo de confiança de 95% para uma margem de erro que é rigorosamente igual a 1 a dividir pela raiz quadrada do número de entrevistados.
Embora geralmente os detalhes sejam escondidos por quem faz as sondagens - mau augúrio - esse facto indica que usam um modelo altamente irrealista para estimar a margem de erro.
Aliás se as margens de erro estivessem realisticamente calculadas 95% das sondagens (isto é 19 em cada 20), conhecidos os resultados nas urnas, concordariam com os resultados finais, tomadas as margens de erro. Ora no acumulado de muitas sondagens que têm vindo a ser feitas ao longo de 40 anos de democracia o certo é que tal não se passou, nem pouco mais ou menos. A estatística não pode funcionar umas vezes e não funcionar noutras. Se o conjunto de todas as sondagens não segue a estatística enunciada por todas e cada uma deles alguém anda a fazer mal as contas.
Dito isto as sondagens não são completamente inúteis. Os resultados com a convicção que tenho na leitura que faço do dia a dia permite-me tirar as minhas seguintes previsões.
(a) a PAF e o PS vão compartilhar entre si o 1º e o 2º lugar, quer em número de deputados quer em número de votos.
(b) a BE e a CDU vão compartilhar entre si o 3º e o 4º lugar, quer em número de deputados quer em número de votos.
(c) Não será possível nenhuma maioria parlamentar (absoluta) que não inclua pelo menos um dos 2 partidos PS ou PSD.
(d) O CDS+PSD+PS podem ter 2/3 de deputados, isso não é certo, mas e a única combinação que pode eventualmente atingir esse valor.
Quanto estou seguro destas minhas previsões? Bastante seguro. Se alguém tem previsões que contradigam estas e estiver bem seguro talvez queira apostar um almoço comigo num restaurante simpático a combinar. Caramba, aposto 2 contra 1. Se ninguém quiser apostar, passo a considerar isto como facto.
Tomo também com provável, mas não garantido, que a CDU terá mais votos que o BE e que o partido do MPinto e o Livre-TA poderão no total ter entre 1 e 3 deputados. Mais nenhuma força irá eleger deputados.
2015-09-20
Os Refugiados - uma Reality Show
Há uns tempos referia que a Grécia era como uma telenovela. Bem a crise dos refugiados é pior - é uma reality show.
Lembra-se da locutora a abrir o telejornal e , no tom de quase apoplexia, dizer "o Joãozinho foi expulso da casa dos milhões". Também eu.
Não percebem mal, estou solidário com os que fogem à morte e à escravatura mais crua e abjecta. Como é o caso de maioria daqueles a que se designa por refugiados no contexto actual.
Mas não vejo a necessidade dos telejornais abrirem sempre com as mesmas imagens das mesmas pessoas nos mesmos sítios com muito pouca informação adicional. Não ficava espantado se um dia destes nos dessem um n. de telefone (66 cêntimos mais IVA) para votar em qual o refugiado que vai se admitido em Portugal, em cada dia.
Parece que já oferecem empregado a quem for apanhado a ser rasteirado pelos jornalistas de outro canal. Rasteira que claro, foi só para aumentar audiência.
Infelizmente, e nisso não difere muito da Grécia, já se sabe como vai tudo acabar. Com campos de refugiados espalhados pela Europa. Os países podem absolver essa gente até um certo grau, mas depois as eleições se encarregaram de ir retirando do poder os governos que passem um certo limite, sendo que os primeiros a fechar vai causar efeito em cadeia sobre os que ainda o não fizeram. É o efeito avalanche.
Gostava que pudesse ser de outra maneira, mas a realidade é uma coisa muito forte. Tal como na Grécia.
All in all não os piores campos de refugiados do mundo. Afinal vão ser os únicos campos do tipo com cobertura TV 24/7, e isso vai fazer muita diferença sobre a maneira como vão ser tratados.
Se tenho mede de uma invasão dos fundamentalistas? De modo nenhum. Não sou tão inocente que vá acreditar que são todos terroristas como também não acredito que não exista infiltrações do ISIS da Al Qaeda e provavelmente de mais uns tantos grupos de perigosos maluquinhos. Mas o principal problema vai ser a parte dos refugiados que não vai arranjar um modo de vida e encontraram na religião, e no martírio, uma consolação e uma justificação, para aquilo por que passam.
Enfim, o mundo é um local perigoso e não vejo como umas tantas mortes não vão estar na linha de acontecimento. Só espero que não sejam tecnicamente muito hábeis. Quem dá a liberdade pela segurança acabará a perder as duas.
Por que querem ir todos para a Alemanha (e Reino Unido, e Holanda)? Por que sabem que é aí que podem ganhar algum para pagar as dívidas que deixaram para trás e para poder financiar a vinda de outros. Têm alguns, frequentemente bons, contactos e têm uma visão da realidade que às vezes parece mais sólida que muitos comentadores políticos. Sim, não querem vir para Portugal e os que vierem vão-se passar na primeira oportunidade. Isso passa-se com que tem raízes cá, agora imagine-se para quem não tem.
APROVEITANDO A BOLEIA: curiosa e sobretudo corajosa a decisão do papa de apelar a uma família de refugiados por paróquia. Essa decisão vai ter lições (que ainda não sei quais são, se soubesse não eram lições) - espero só que alguém mantenha uma estatística do assunto.
2015-07-01
O euro e o bitcoin
Bem o que vai acontecer ao euro?
Não sei. E não acredito que alguém saiba.
Claro que é de esperar uma correcção (nota:correcção é o eufemismo dos mercados para desvalorização) no valor do moeda única e nos papeis em bolsa. É natural e saudável uma perda de valor da ordem de grandeza do que se vai perder com o dinheiro emprestado e não reembolsado. Emprestar dinheiro é uma actividade arriscada, com lucros e perdas potencias.
Agora, poderemos estar no início de um terramoto financeiro?
Poder, podemos, não há nenhuma razão objectiva para tal, mas os mercados são altamente irracionais e, principalmente, sujeitos à acção de especuladores. Lembro-me do que aconteceu à libra esterlina circa 1992.
Especular contra governos é uma actividade extremamente lucrativa para alguns. Penso que a larga maioria dos especuladores perde dinheiro, mas uns poucos armazenam lucros fabulosos e as notícias sobre isso atraem uma multidão de gananciosos. E, em regimes democráticos, nem os governos podem lutar contra multidões.
É um pouco coma a lotaria (ou os jogos no casino). Em média todos os jogadores perdem dinheiro, pelo que jogar faz muito pouco sentido. No entanto ninguém vai entrevistar quem perde regularmente 100 euros todas as semanas a jogar. Quem é referido na TV são os vencedores e a fortuna que meteram no bolso. Isso atrai a atenção, desperta a avidez a permite, em última análise, que os jogos existam.
No entanto à outro lado da moeda. é que existe muita vontade política e muitos recursos para se oporem ao caos.
A união europeia pode juntar muito dinheiro, pode cunhar moeda, mas, talvez mais importante, os Estados Unidos e a China vão disponibilizar algum. Podem ficar admirados de por aqui a China, mas se há alguma coisa que a China abomina é a instabilidade económica.
Agora uma coisa eu estou certo. Se for desencadeada uma crise económica na UE, que não seja acompanhada de uma crise semelhante a nível mundial, ficará provado que o euro não tem capacidade de resolver crises mesmo que essas crises tenham na sua génese valores relativamente pouco importantes.
Ficará para sempre exposto a que qualquer pretexto seja usado nos ataques contra ele. Será um pato coxo.
Nesse cenário será melhor começarmos todos a pensar em enterrar a moeda. Melhor se devagar e sem grandes distúrbios. Se possível. Não vai ser pêra doce.
Digo sair da moeda, não da União. Para já não penso que possa haver motivo para tal. No entanto muitos partidos populistas, um pouco por toda a parte, vão tentar aproveitar a boleia.
Também:
Será interessante ver a variação do bitcoin nos próximos dias. Não vejo nenhuma razão para o bitcoin se valorizar. Os gregos, se procederem racionalmente, tentarão sim passar tudo a dólares ou a euros, e mandar isso para fora do país, sim os euros podem ficar um pouco instáveis, mas que ninguém prevê que essa instabilidade seja superior à instabilidade dos bitcoins.
As restrições ao movimentos de capital tornam difícil exportar qualquer coisa que vala dinheiro , mas as mesmas restrições tornam difícil comprar bitcoins. Quem tiver bitcoins para vender dificilmente vai aceitar como pagamento valores que não possa fazer circular livremente. Dificilmente vai aceitar EXCEPTO se lhe pagarem muito, mas mesmo muito bem.
E reconheço que quem conseguir obter bitcoins ficará com uma moeda que pode muito facilmente ultrapassar limitações administrativas. Ter bitcoins será um "ter dinheiro lá fora, cá dentro", um offshore acessível a todos. Resta saber a que custo.
Tudo isto junto cria um sentimento irracional à boleia do qual se pode ganhar - ou perder - muito dinheiro. Uns dirão que isso é a tragédia dos mercados. Outros que é a sua beleza.
Não sei. E não acredito que alguém saiba.
Claro que é de esperar uma correcção (nota:correcção é o eufemismo dos mercados para desvalorização) no valor do moeda única e nos papeis em bolsa. É natural e saudável uma perda de valor da ordem de grandeza do que se vai perder com o dinheiro emprestado e não reembolsado. Emprestar dinheiro é uma actividade arriscada, com lucros e perdas potencias.
Agora, poderemos estar no início de um terramoto financeiro?
Poder, podemos, não há nenhuma razão objectiva para tal, mas os mercados são altamente irracionais e, principalmente, sujeitos à acção de especuladores. Lembro-me do que aconteceu à libra esterlina circa 1992.
Especular contra governos é uma actividade extremamente lucrativa para alguns. Penso que a larga maioria dos especuladores perde dinheiro, mas uns poucos armazenam lucros fabulosos e as notícias sobre isso atraem uma multidão de gananciosos. E, em regimes democráticos, nem os governos podem lutar contra multidões.
É um pouco coma a lotaria (ou os jogos no casino). Em média todos os jogadores perdem dinheiro, pelo que jogar faz muito pouco sentido. No entanto ninguém vai entrevistar quem perde regularmente 100 euros todas as semanas a jogar. Quem é referido na TV são os vencedores e a fortuna que meteram no bolso. Isso atrai a atenção, desperta a avidez a permite, em última análise, que os jogos existam.
No entanto à outro lado da moeda. é que existe muita vontade política e muitos recursos para se oporem ao caos.
A união europeia pode juntar muito dinheiro, pode cunhar moeda, mas, talvez mais importante, os Estados Unidos e a China vão disponibilizar algum. Podem ficar admirados de por aqui a China, mas se há alguma coisa que a China abomina é a instabilidade económica.
Agora uma coisa eu estou certo. Se for desencadeada uma crise económica na UE, que não seja acompanhada de uma crise semelhante a nível mundial, ficará provado que o euro não tem capacidade de resolver crises mesmo que essas crises tenham na sua génese valores relativamente pouco importantes.
Ficará para sempre exposto a que qualquer pretexto seja usado nos ataques contra ele. Será um pato coxo.
Nesse cenário será melhor começarmos todos a pensar em enterrar a moeda. Melhor se devagar e sem grandes distúrbios. Se possível. Não vai ser pêra doce.
Digo sair da moeda, não da União. Para já não penso que possa haver motivo para tal. No entanto muitos partidos populistas, um pouco por toda a parte, vão tentar aproveitar a boleia.
Também:
Será interessante ver a variação do bitcoin nos próximos dias. Não vejo nenhuma razão para o bitcoin se valorizar. Os gregos, se procederem racionalmente, tentarão sim passar tudo a dólares ou a euros, e mandar isso para fora do país, sim os euros podem ficar um pouco instáveis, mas que ninguém prevê que essa instabilidade seja superior à instabilidade dos bitcoins.
As restrições ao movimentos de capital tornam difícil exportar qualquer coisa que vala dinheiro , mas as mesmas restrições tornam difícil comprar bitcoins. Quem tiver bitcoins para vender dificilmente vai aceitar como pagamento valores que não possa fazer circular livremente. Dificilmente vai aceitar EXCEPTO se lhe pagarem muito, mas mesmo muito bem.
E reconheço que quem conseguir obter bitcoins ficará com uma moeda que pode muito facilmente ultrapassar limitações administrativas. Ter bitcoins será um "ter dinheiro lá fora, cá dentro", um offshore acessível a todos. Resta saber a que custo.
Tudo isto junto cria um sentimento irracional à boleia do qual se pode ganhar - ou perder - muito dinheiro. Uns dirão que isso é a tragédia dos mercados. Outros que é a sua beleza.
2015-06-26
A Telenovela Grega
Isto da Grécia é pior que uma telenovela. Muito pior que as telenovelas, porque as telenovelas passam a um horário mais ou menos previsível e só vê quem quer.
Pelo contrário a telenovela Grega irrompe nos telejornais e nunca se sabe quando vai acabar e começar as notícias a sério.
Pensavam que isso na Grécia ia ser uma tragédia. Muito pior: é uma telenovela. Mas sendo uma telenovela está a fritar os neurónios que me restam pelo que tenho de escrever isto ou rebento.
Comparável as notícias sobre a Grécia só mesmo o futebol, mas mesmo desse só se nalguns dias, são muitos dias, mas não são todos os dias. E dura, dura, diz que disse, o disse ontem (outra vez), o que disse hoje (e vai voltar amanhã), o que vai dizer amanhã (talvez). E o que talvez tivessem dito hoje, mas não disseram.
E a minha box infelizmente ainda não tem uma função que mude, durante as notícias da negociação da Grécia, e do futebol, para o canal zen.
Claro que o drama grego tem algumas semelhanças com as telenovelas. Toda a gente sabe como vão acabar, desde início, bem antes do início, quando se vê o trailler. Os vilões vão para o degredo e a mocinha casa com o mocinho numa promessa de um rancho de filhos. Foi pelo menos o que me disseram que eu desde a Gabriela nunca mais vi nenhuma.
Por uns instantes até parece que a coisa está a pender para o lado A, não, para o B. No episódio seguinte é B, A, B. E o pessoal a ver os anúncios no intervalo para não perder o que vem a seguir.Pior MESMO pior só a Heidi.
Também na Grécia a coisa vai acabar como...toda a gente sabe. Mas claro, têm de fazer uns rodriguinhos a convencer o pacóvio que não se sabe como vai acabar.
Tal como nas telenovelas, o enredo está escrito desde o início, desde que o Syriza ganhou uma pluralidade de assentos no parlamento nacional. Ou antes, quando as sondagens começaram a dar a vantagem.
Aí os governantes dos partidos do tatcharismo-requentado da Europa, juntamente com os altos funcionários que eles colocaram para as altas instâncias pensaram logo "ora aqui está a nossa oportunidade para por este pessoal que gasta mais do que o que produz" na ordem. E na oportunidade ganhar umas eleiçõeszecas aqui e ali. Não que ainda começa tudo a pedir o fim da austeridade, e (re-)negociações e coisas assim, safa.
Não que dizer que tenham reunido para combinar isso. Não, nada de reuniões dos Bilderberg ou da sociedade das caveiras e do ossos, a reunir à meia-noite, à luz de velas, ao largo da Califórnia. Isso é folclore.
Nem sequer trocaram mensagens, telefonemas, cartas ou emails. Aliás seriam parvos se pusessem qualquer coisa em palavras ditas ou escritas. Hoje em dia nunca se sabe quando está um Assange ou um Snowden atrás da porta escutar.
Mas não era preciso. É como o "code red" de que fala o Tom Cruise. Não é preciso estar escrito, nem ser lido, e toda a gente o conhece.
Ainda há por aí alguns convencidos que o fim não está escrito. Na verdade não sei se isso é mesmo verdade - o que mostraria má capacidade de analisar a situação - ou vontade de enganar, tipo promessas eleitorais.
Quando a coisa descambar de vez, seja pela saída do Grécia do euro, seja pela aceitação de medidas tão impopulares que o Syriza irá implodir e ser contestado nas ruas, vão mais uma vez buscar a retórica fácil do "fascimo". A Alemanha é fascista, os americanos são fascistas, o FMI e "as instituições" são fascistas. A UE é fascista. São TODOS fascistas.
Esse tipo de análise tem estória. Praga em 68 era uma cambada de fascistas com a Hungria em 56. Os Ingleses são fascistas, os franceses são fascistas, a Holanda a Bélgica e o Luxemburgo, ui, isso nem se fala. Bem na Ucrânia então são MESMO fascistas.
Esse tipo de análise não tem consistência e, o que é pior, branqueia o fascismo. Na realidade ficamos pensar onde é que esta gente imagina que há democracia. Ou houve. Ou vai haver. Se calhar é na...
E os "fascistas" verifica-se afinal, seguem regras de poder bem definidas à partida e que toda a gente conhece muito bem à muito tempo. Mas aparentemente alguns só descobrem, ou vão descobrir, que são fascistas quando não têm mais nenhum argumento.
Bem nalgumas análises ainda não se usa o termo fascismo. Usa-se "a caminhar para o fascismo", "fascistoide" "cripto-fascismo", mas a ideia é a mesma, e o escapismo não esconde muito.
E se um dia, bate na parede, o fascismo vier, bem, ninguém vai prestar atenção aos sinais.
Também há por aí quem tenha chegado à conclusão que o melhor que a Grécia, e a seguir Portugal, tem a fazer é abandonar o euro e depois a UE a logo a NATO. Depois só têm de construir uma sociedade mais justa com o dinheiro que os BRICS lhe vão emprestar. Os amanhãs cantam.
E depois quando isso não acontecer vai ficar um exemplo de "olha o que vos vai acontecer se...". Nada de novo. Já aconteceu algo muito parecido, já eu andava por cá.
Não, não me vejam com o que "quem não tenta está derrotado à partida". Quem está derrotado à partida é quem não tem capacidade de ver quais as lutas que podem ser ganhas e quais são de evitar. OU quem sabendo isso, finque que não é nada assim. Também nessa a história devia ter ensinado qualquer coisa.
Vai o Euro, a União Europeia, acabar? Talvez, mas a sua sentença de morte será mais provavelmente ditado pelos populistas no Reino Unido do que pela Grécia. E pelos banksters do Luxemburgo.
Para Portugal vai ser pior? Sim, mas talvez não muito. Os juros vão subir, mas talvez não muito, afinal ninguém quer ver em Portugal uma segunda Grécia. O vacina funciona pelos 2 lados. Mas gostava de estar mais certo do que digo. As avalanches têm uma dinâmica própria, muito difícil de prever, e Portugal é um elo fraco.
Antes que me esqueça: a dívida contraída pelos governos democráticamente eleitos é odiosa. A proveniente das acções do regime alemão nazi, na segunda guerra mundial, não.
Prontos. Grécia. Stop.
Pelo contrário a telenovela Grega irrompe nos telejornais e nunca se sabe quando vai acabar e começar as notícias a sério.
Pensavam que isso na Grécia ia ser uma tragédia. Muito pior: é uma telenovela. Mas sendo uma telenovela está a fritar os neurónios que me restam pelo que tenho de escrever isto ou rebento.
Comparável as notícias sobre a Grécia só mesmo o futebol, mas mesmo desse só se nalguns dias, são muitos dias, mas não são todos os dias. E dura, dura, diz que disse, o disse ontem (outra vez), o que disse hoje (e vai voltar amanhã), o que vai dizer amanhã (talvez). E o que talvez tivessem dito hoje, mas não disseram.
E a minha box infelizmente ainda não tem uma função que mude, durante as notícias da negociação da Grécia, e do futebol, para o canal zen.
Claro que o drama grego tem algumas semelhanças com as telenovelas. Toda a gente sabe como vão acabar, desde início, bem antes do início, quando se vê o trailler. Os vilões vão para o degredo e a mocinha casa com o mocinho numa promessa de um rancho de filhos. Foi pelo menos o que me disseram que eu desde a Gabriela nunca mais vi nenhuma.
Por uns instantes até parece que a coisa está a pender para o lado A, não, para o B. No episódio seguinte é B, A, B. E o pessoal a ver os anúncios no intervalo para não perder o que vem a seguir.Pior MESMO pior só a Heidi.
Também na Grécia a coisa vai acabar como...toda a gente sabe. Mas claro, têm de fazer uns rodriguinhos a convencer o pacóvio que não se sabe como vai acabar.
Tal como nas telenovelas, o enredo está escrito desde o início, desde que o Syriza ganhou uma pluralidade de assentos no parlamento nacional. Ou antes, quando as sondagens começaram a dar a vantagem.
Aí os governantes dos partidos do tatcharismo-requentado da Europa, juntamente com os altos funcionários que eles colocaram para as altas instâncias pensaram logo "ora aqui está a nossa oportunidade para por este pessoal que gasta mais do que o que produz" na ordem. E na oportunidade ganhar umas eleiçõeszecas aqui e ali. Não que ainda começa tudo a pedir o fim da austeridade, e (re-)negociações e coisas assim, safa.
Não que dizer que tenham reunido para combinar isso. Não, nada de reuniões dos Bilderberg ou da sociedade das caveiras e do ossos, a reunir à meia-noite, à luz de velas, ao largo da Califórnia. Isso é folclore.
Nem sequer trocaram mensagens, telefonemas, cartas ou emails. Aliás seriam parvos se pusessem qualquer coisa em palavras ditas ou escritas. Hoje em dia nunca se sabe quando está um Assange ou um Snowden atrás da porta escutar.
Mas não era preciso. É como o "code red" de que fala o Tom Cruise. Não é preciso estar escrito, nem ser lido, e toda a gente o conhece.
Ainda há por aí alguns convencidos que o fim não está escrito. Na verdade não sei se isso é mesmo verdade - o que mostraria má capacidade de analisar a situação - ou vontade de enganar, tipo promessas eleitorais.
Quando a coisa descambar de vez, seja pela saída do Grécia do euro, seja pela aceitação de medidas tão impopulares que o Syriza irá implodir e ser contestado nas ruas, vão mais uma vez buscar a retórica fácil do "fascimo". A Alemanha é fascista, os americanos são fascistas, o FMI e "as instituições" são fascistas. A UE é fascista. São TODOS fascistas.
Esse tipo de análise tem estória. Praga em 68 era uma cambada de fascistas com a Hungria em 56. Os Ingleses são fascistas, os franceses são fascistas, a Holanda a Bélgica e o Luxemburgo, ui, isso nem se fala. Bem na Ucrânia então são MESMO fascistas.
Esse tipo de análise não tem consistência e, o que é pior, branqueia o fascismo. Na realidade ficamos pensar onde é que esta gente imagina que há democracia. Ou houve. Ou vai haver. Se calhar é na...
E os "fascistas" verifica-se afinal, seguem regras de poder bem definidas à partida e que toda a gente conhece muito bem à muito tempo. Mas aparentemente alguns só descobrem, ou vão descobrir, que são fascistas quando não têm mais nenhum argumento.
Bem nalgumas análises ainda não se usa o termo fascismo. Usa-se "a caminhar para o fascismo", "fascistoide" "cripto-fascismo", mas a ideia é a mesma, e o escapismo não esconde muito.
E se um dia, bate na parede, o fascismo vier, bem, ninguém vai prestar atenção aos sinais.
Também há por aí quem tenha chegado à conclusão que o melhor que a Grécia, e a seguir Portugal, tem a fazer é abandonar o euro e depois a UE a logo a NATO. Depois só têm de construir uma sociedade mais justa com o dinheiro que os BRICS lhe vão emprestar. Os amanhãs cantam.
E depois quando isso não acontecer vai ficar um exemplo de "olha o que vos vai acontecer se...". Nada de novo. Já aconteceu algo muito parecido, já eu andava por cá.
Não, não me vejam com o que "quem não tenta está derrotado à partida". Quem está derrotado à partida é quem não tem capacidade de ver quais as lutas que podem ser ganhas e quais são de evitar. OU quem sabendo isso, finque que não é nada assim. Também nessa a história devia ter ensinado qualquer coisa.
Vai o Euro, a União Europeia, acabar? Talvez, mas a sua sentença de morte será mais provavelmente ditado pelos populistas no Reino Unido do que pela Grécia. E pelos banksters do Luxemburgo.
Para Portugal vai ser pior? Sim, mas talvez não muito. Os juros vão subir, mas talvez não muito, afinal ninguém quer ver em Portugal uma segunda Grécia. O vacina funciona pelos 2 lados. Mas gostava de estar mais certo do que digo. As avalanches têm uma dinâmica própria, muito difícil de prever, e Portugal é um elo fraco.
Antes que me esqueça: a dívida contraída pelos governos democráticamente eleitos é odiosa. A proveniente das acções do regime alemão nazi, na segunda guerra mundial, não.
Prontos. Grécia. Stop.
2015-06-25
Acordos ortográficos
Bem, sinto-me da obrigação de dizer qualquer coisa sobre o tão falado acordo ortográfico.
Pois a minha opinião é que... não tenho opinião.
Oiço os argumentos A e concordo. Depois oiço os argumentos B e concordo. E oiço os argumentos B a desmentirem os argumentos A, com que tinha concordado e concordo, isto é, discordo daquilo com que tinha concordado. Ad infinitum.
Depois olho para os curriculuns (curriculums, curricula? porque não tem acento no i?) de alguns dos arguentes e... desisto.
Na verdade não me sinto com formação nem experiência para julgar o peso relativo dos diversos argumentos. Provavelmente muitos dos que argumentam A ou B também não, mas isso é irrelevante.
Sejamos claros, o uso do nosso acordo vai criar sobre mim um excesso de trabalho considerável, já habituado a lutar contra os erros de ortografia na convenção agora em vias de cessar , o futuro não é brilhante. Felizmente escrever não é uma parte importante da minha vida. Mais importante uma escrita linguisticamente brilhante nunca foi um objectivo meu, nem remotamente, nem por aproximação, como quase toda a gente que me conhece sabe (nalguns casos sofre ou sofreu -- pessoal que me ajudou a escrever a tese, ainda não esqueci).
Relato aqui um diálogo muito antigo com uma simpática e atraente professora na aliançe française circa 1987 (que será feito dela?) O diálogo foi em francês, espécie de, mas eu traduzo,"Ó Zé tu até escreves bem, mas dás tantos erros ortográficos..." "Ó professora, com tantos erros que eu dou em português, se não os desses em francês era falta de patriotismo". Note-se que o "até escreves bem" era apenas um reflexo com alguma familiaridade com a língua, que as minhas estadas frequentes e prolongadas em Paris me tinha facultado nessa década, e um pouco antes, e que a docente benevolente apreciava intuitivamente, Nada que passasse uma análise fria dos méritos. Não que na circunstância eu estivesse interessado numa análise fria de méritos.
Não deixo de ver uma vitória económica e política do Brasil, mas a vida é a vida, há coisas piores.
Penso que parece que vou ter que me adaptar, não vejo outra alternativa. No entanto para não correr o risco de fazer uma asneira da grosso vou esperar um meses. Posso dar-me a esse luxo.
Até que o "diário da república" e o "diário da assembleia da república" do Brasil (ou lá como como é que eles são chamadas no local) venham escritos segundo o novo acordo. Isso deve acontecer em Janeiro de 2016, posso esperar. Nessa altura o novo AO será oficial para uns 90% dos falante, para mim chega. Mas não vá acontecer como em 1945 em que o governo brasileiro aprovou o acordo, mas ele nunca entrou me vigor, tendo Portugal feito um acordo com...consigo próprio apenas (Portugal e Brasil eram na altura os únicos países com maioria a falar português). Cuidados e caldos de galinha.
Será uma altura de eu repensar o meu sistema de correcção ortográfica e talvez mudar o meu browser de referência. Janeiro já está muito cheio. Marquei condicionalmente para Fevereiro de 2016. Transição até ao fim de Março.
Um corrector ortográfico que compreendesse a minha eventual ortografia antiga, mesmo que gralhada, e desse como primeira opção a ortografia apropriada da mesma palavra. Será que isso existe?
Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1945 (consultado em 2015-05-14)
.
Pois a minha opinião é que... não tenho opinião.
Oiço os argumentos A e concordo. Depois oiço os argumentos B e concordo. E oiço os argumentos B a desmentirem os argumentos A, com que tinha concordado e concordo, isto é, discordo daquilo com que tinha concordado. Ad infinitum.
Depois olho para os curriculuns (curriculums, curricula? porque não tem acento no i?) de alguns dos arguentes e... desisto.
Na verdade não me sinto com formação nem experiência para julgar o peso relativo dos diversos argumentos. Provavelmente muitos dos que argumentam A ou B também não, mas isso é irrelevante.
Sejamos claros, o uso do nosso acordo vai criar sobre mim um excesso de trabalho considerável, já habituado a lutar contra os erros de ortografia na convenção agora em vias de cessar , o futuro não é brilhante. Felizmente escrever não é uma parte importante da minha vida. Mais importante uma escrita linguisticamente brilhante nunca foi um objectivo meu, nem remotamente, nem por aproximação, como quase toda a gente que me conhece sabe (nalguns casos sofre ou sofreu -- pessoal que me ajudou a escrever a tese, ainda não esqueci).
Relato aqui um diálogo muito antigo com uma simpática e atraente professora na aliançe française circa 1987 (que será feito dela?) O diálogo foi em francês, espécie de, mas eu traduzo,"Ó Zé tu até escreves bem, mas dás tantos erros ortográficos..." "Ó professora, com tantos erros que eu dou em português, se não os desses em francês era falta de patriotismo". Note-se que o "até escreves bem" era apenas um reflexo com alguma familiaridade com a língua, que as minhas estadas frequentes e prolongadas em Paris me tinha facultado nessa década, e um pouco antes, e que a docente benevolente apreciava intuitivamente, Nada que passasse uma análise fria dos méritos. Não que na circunstância eu estivesse interessado numa análise fria de méritos.
Não deixo de ver uma vitória económica e política do Brasil, mas a vida é a vida, há coisas piores.
Penso que parece que vou ter que me adaptar, não vejo outra alternativa. No entanto para não correr o risco de fazer uma asneira da grosso vou esperar um meses. Posso dar-me a esse luxo.
Até que o "diário da república" e o "diário da assembleia da república" do Brasil (ou lá como como é que eles são chamadas no local) venham escritos segundo o novo acordo. Isso deve acontecer em Janeiro de 2016, posso esperar. Nessa altura o novo AO será oficial para uns 90% dos falante, para mim chega. Mas não vá acontecer como em 1945 em que o governo brasileiro aprovou o acordo, mas ele nunca entrou me vigor, tendo Portugal feito um acordo com...consigo próprio apenas (Portugal e Brasil eram na altura os únicos países com maioria a falar português). Cuidados e caldos de galinha.
Será uma altura de eu repensar o meu sistema de correcção ortográfica e talvez mudar o meu browser de referência. Janeiro já está muito cheio. Marquei condicionalmente para Fevereiro de 2016. Transição até ao fim de Março.
Um corrector ortográfico que compreendesse a minha eventual ortografia antiga, mesmo que gralhada, e desse como primeira opção a ortografia apropriada da mesma palavra. Será que isso existe?
Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1945 (consultado em 2015-05-14)
.
2015-05-14
Poupanças
Bem o motivo directo é para falar sobre sobre a lingua portuguesa. Não, não é desta vez que vou falar sobre o acordo ortográfico. Fica para outro dia.
Sempre procurei utilizar programas (aplicações), livros, filmes, etc na versão em inglês. O que não me impede de eu escrever em português sempre que possível e apropriado.
Algumas pessoas até ficam admiradas sabendo que não domino particularmente essa língua (o argumento não colhe porque o meu português também não é nada que seja motivo de orgulho).
Hoje vou fundamentar a minha decisão num exemplo.
Ando à procura de uma gráfica, ou, como ainda se chama, loja de fotocópias. Sim tenho um impressora, mas uso-a pouco pelo que comprei uma de desempenho mediano. Quando - raramente - pretendo uma coisa de qualidade (ou uma grande quantidade) mais vale recorrer a uma loja ou empresa especializada que pode obter preços mais baixos devido a um uso mais racional de impressoras de boa qualidade. Sai mais barato a qualidade é maior e cria emprego. E é melhor para o ambiente.
As gráficas on-line são uma boa opção para algum tipo de trabalho. Não é preciso sair de casa e temos um maior controlo sobre o que está a ser feito.
Mas há problemas, este caso é de fácil solução, mas nem todas as asneiras assim o são.
Neste caso a gráfica propõe uma interface on-line para criação do documento. Boa ideia.
No entanto existe uma opção que me causou alguma perplexidade. A opção "Poupe". Bem certamente era uma referência a uma campanha promocional, ou, quiça, apenas para exaltar as poupanças económicas que o uso da empresa traduz para o consumidor. Mas não.
A pista vem evidentemente do simbolo de uma diskette que está junto. Já ninguém usa diskettes, claro, mas o simbolo continua a representar a opção "guardar".
"Guardar" estão a ver. Ou, em inglês "save". O termo "save" traduz-se frequentemente por "poupe" claro, apareçe muito nos supermercados e em todo o tipo de folhetos promocionais.
Mas neste caso a tradução "poupe" não faz qualquer sentido, É como dizer poupe aí este livro na gaveta. A tradução correcta é "guardar" ou talvez, aceitável, "guarde".
Evidentemente que a aplicação foi traduzida do inglês, que quem traduziu não tinha a mais pequena ideia daquilo que estava traduzir (partindo do princípio que não foi uma tradução automática). O tradutor relembrou as suas aulas de empreendedorismo, campanhas promocionais, "save", "save", foi ao dicionário "poupe", estava lá, caso arrumado.
Para esta versão em português preferiria a versão em inglês - se estivesse disponível.
Ou da má preparação que existe nas nossas escolas, muitos querem estudar, e muito se ensina, as artes da impressão e tipografia, mas mais para as artes e menos para a tecnologia.
Ou do que resulta quando se paga amendoins e se obtém macacos. Poupanças - estão a perceber.
E, claro, os 2 parágrafos anteriores estão relacionados.
Com gráficas assim as empresas vão perder mais tempo, obter folhetos de mais baixa qualidade e no fim ficamos todos a perder. E só vai haver dinheiro para pagar amendoins.
Seria muito melhor se estivesse tudo em inglês e ponto final. Claro que os utilizadores teriam de saber inglês, mas o conheçimento de inglês é de qualquer maneira indispensável.
Nota: não que estas confusões sejam exclusivas desta gráfica. Muito pelo contrário.
Sempre procurei utilizar programas (aplicações), livros, filmes, etc na versão em inglês. O que não me impede de eu escrever em português sempre que possível e apropriado.
Algumas pessoas até ficam admiradas sabendo que não domino particularmente essa língua (o argumento não colhe porque o meu português também não é nada que seja motivo de orgulho).
Hoje vou fundamentar a minha decisão num exemplo.
Ando à procura de uma gráfica, ou, como ainda se chama, loja de fotocópias. Sim tenho um impressora, mas uso-a pouco pelo que comprei uma de desempenho mediano. Quando - raramente - pretendo uma coisa de qualidade (ou uma grande quantidade) mais vale recorrer a uma loja ou empresa especializada que pode obter preços mais baixos devido a um uso mais racional de impressoras de boa qualidade. Sai mais barato a qualidade é maior e cria emprego. E é melhor para o ambiente.
As gráficas on-line são uma boa opção para algum tipo de trabalho. Não é preciso sair de casa e temos um maior controlo sobre o que está a ser feito.
Mas há problemas, este caso é de fácil solução, mas nem todas as asneiras assim o são.
Neste caso a gráfica propõe uma interface on-line para criação do documento. Boa ideia.
No entanto existe uma opção que me causou alguma perplexidade. A opção "Poupe". Bem certamente era uma referência a uma campanha promocional, ou, quiça, apenas para exaltar as poupanças económicas que o uso da empresa traduz para o consumidor. Mas não.
A pista vem evidentemente do simbolo de uma diskette que está junto. Já ninguém usa diskettes, claro, mas o simbolo continua a representar a opção "guardar".
"Guardar" estão a ver. Ou, em inglês "save". O termo "save" traduz-se frequentemente por "poupe" claro, apareçe muito nos supermercados e em todo o tipo de folhetos promocionais.
Mas neste caso a tradução "poupe" não faz qualquer sentido, É como dizer poupe aí este livro na gaveta. A tradução correcta é "guardar" ou talvez, aceitável, "guarde".
Evidentemente que a aplicação foi traduzida do inglês, que quem traduziu não tinha a mais pequena ideia daquilo que estava traduzir (partindo do princípio que não foi uma tradução automática). O tradutor relembrou as suas aulas de empreendedorismo, campanhas promocionais, "save", "save", foi ao dicionário "poupe", estava lá, caso arrumado.
Para esta versão em português preferiria a versão em inglês - se estivesse disponível.
Ou da má preparação que existe nas nossas escolas, muitos querem estudar, e muito se ensina, as artes da impressão e tipografia, mas mais para as artes e menos para a tecnologia.
Ou do que resulta quando se paga amendoins e se obtém macacos. Poupanças - estão a perceber.
E, claro, os 2 parágrafos anteriores estão relacionados.
Com gráficas assim as empresas vão perder mais tempo, obter folhetos de mais baixa qualidade e no fim ficamos todos a perder. E só vai haver dinheiro para pagar amendoins.
Seria muito melhor se estivesse tudo em inglês e ponto final. Claro que os utilizadores teriam de saber inglês, mas o conheçimento de inglês é de qualquer maneira indispensável.
Nota: não que estas confusões sejam exclusivas desta gráfica. Muito pelo contrário.
2015-05-07
Is the end of the world as we know it
Hoje há eleições no Reino Unido.
O mais provável será termos um governo dos conservadores + LibDem. Referendo sobre a UE à vista, cedências sobre o espaço de circulação, UK-exit?
Se não será Trabalhistas + Escoceses. Referendo sobre a Escócia à vista. Fim do UK?
As forças centrífugas não dormem.
O que provavelmente nem é tão mau como se possa pensar. Mas vão ser dias difíceis.
O mais provável será termos um governo dos conservadores + LibDem. Referendo sobre a UE à vista, cedências sobre o espaço de circulação, UK-exit?
Se não será Trabalhistas + Escoceses. Referendo sobre a Escócia à vista. Fim do UK?
As forças centrífugas não dormem.
O que provavelmente nem é tão mau como se possa pensar. Mas vão ser dias difíceis.
2015-04-19
Gravidade (2013)
Gravidade é um filme de FC. Pura e dura.
Não encerra nenhuma questão filosófica, apenas a tenacidade das pessoas sobreviverem, e protegerem quem lhes é próximo, no ambiente hostil que é o espaço, apesar do filme se passar todo as uns míseros 500 quilómetros da superfície da Terra.
E nisso (e não é pouco) é bom. Os detalhes estão todos bem vistos e toda a acção é muito realista.
Um daqueles filmes que se perde muito visto no cinema, Na verdade é difícil, ao seguir a acção, manter um olho nas excelentes imagens sobre a Terra que vão passando em fundo.
E claro a Sandra está impecável, apesar de já não ir para nova. Sempre um descanso para os meus olhos vê-la despir qualquer coisa, mesmo que seja só o fato espacial.
Se ainda não viu, não perca. Se já viu talvez queira voltar a ver, provavelmente o facto de já saber a história vai permitir dar um pouco mais de atenção às imagens de fundo.
http://en.wikipedia.org/wiki/Gravity_(film)
Não encerra nenhuma questão filosófica, apenas a tenacidade das pessoas sobreviverem, e protegerem quem lhes é próximo, no ambiente hostil que é o espaço, apesar do filme se passar todo as uns míseros 500 quilómetros da superfície da Terra.
E nisso (e não é pouco) é bom. Os detalhes estão todos bem vistos e toda a acção é muito realista.
Um daqueles filmes que se perde muito visto no cinema, Na verdade é difícil, ao seguir a acção, manter um olho nas excelentes imagens sobre a Terra que vão passando em fundo.
E claro a Sandra está impecável, apesar de já não ir para nova. Sempre um descanso para os meus olhos vê-la despir qualquer coisa, mesmo que seja só o fato espacial.
Se ainda não viu, não perca. Se já viu talvez queira voltar a ver, provavelmente o facto de já saber a história vai permitir dar um pouco mais de atenção às imagens de fundo.
http://en.wikipedia.org/wiki/Gravity_(film)
2015-04-18
Os Guardiões da Galáxia (2014)
Bem, posso dizer que NÃO estou divertido.
A FC de um modo geral casa mal com a comédia, e este filme de 2014 é um exemplo disso. Mesmo o "Marte Ataca", que ainda é o melhor que me lembro no género (e talvez tenha oportunidade de falar sobre esse filme) foi um filme que me deixou muito a desejar. Talvez os "homens de negro" seja o único filme do género que suportei. Tiradas as sequelas.
Claro que foi popular, mas a minha impressão é que foi popular por quem não aprecia FC. E, fora alguma piadas mais ou menos escatológicas não encontrei piada nenhuma.
Os heróis e os vilões são apenas uma imagem fraca do que já se tem visto na FC e na fantasia. O ideia é mesmo gozar com isso, mas nem nisso há nada de novo.
De resto é um percorrer de temas que já foram tratados até à exaustão, cenas coladas de outros locais.
http://en.wikipedia.org/wiki/Guardians_of_the_Galaxy_(film) (consultado em 2015-04-18)
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Attacks! (consultado em 2015-04-18)
n.wikipedia.org/wiki/Men_in_Black_(film) (consultado em 2015-04-18)
A FC de um modo geral casa mal com a comédia, e este filme de 2014 é um exemplo disso. Mesmo o "Marte Ataca", que ainda é o melhor que me lembro no género (e talvez tenha oportunidade de falar sobre esse filme) foi um filme que me deixou muito a desejar. Talvez os "homens de negro" seja o único filme do género que suportei. Tiradas as sequelas.
Claro que foi popular, mas a minha impressão é que foi popular por quem não aprecia FC. E, fora alguma piadas mais ou menos escatológicas não encontrei piada nenhuma.
Os heróis e os vilões são apenas uma imagem fraca do que já se tem visto na FC e na fantasia. O ideia é mesmo gozar com isso, mas nem nisso há nada de novo.
De resto é um percorrer de temas que já foram tratados até à exaustão, cenas coladas de outros locais.
http://en.wikipedia.org/wiki/Guardians_of_the_Galaxy_(film) (consultado em 2015-04-18)
http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Attacks! (consultado em 2015-04-18)
n.wikipedia.org/wiki/Men_in_Black_(film) (consultado em 2015-04-18)
2015-03-29
A Teoria do Big Bang (desde 2007)
Não estou a referir o paradigma actual sobre a evolução do Universo.
Estou a falar sobre a enormemente popular comédia norte-americana (é provavelmente a série mais vista nos Estados Unidos, uma fonte estimou que, em 2013, nos EEUU, foi vista na TV, por mais de 20 milhões, contra menos de 6 milhões que vêm a "Guerra dos Tronos") em exibição desde 2007.
Eu não vejo mais nenhuma outra comédia, com alguma regularidade mínima.
Tenho de fazer uma declaração de interesse pessoal. Já trabalhei numa grande (grande em todos os sentidos) universidade californiana e, na ocasião, compartilhei a minha habitação - 2 andares, mais uma sub-loja com máquinas e outro hardware - , de forma informal e algo caótica, com alguns colegas. Uns viveram mesmo lá durante 1 ou mais anos, outros só de passagem, outros pernoitaram ocasionalmente. O único que resta do meu tempo já fez 32 anos de casa. A esmagadora maioria eram jovens investigadores e/ou professores e/ou estudantes graduados nas áreas das ciência exactas. A sala maior tinha uma larga janela vitral. Tudo praticamente uma réplica da série.
( Diferenças importante: tínhamos um enorme e muito frondoso quintal , cheio de racons, esquilos, cobras cascavéis, tarântulas e, ocasionalmente, com ursos e veados, a casa e o jardim ainda lá estão e podem ser vistos nas fotos de satélite, por exemplo no google maps, 37.89020, -122.25944, na altura existiam menos casas. Não havia Internet.).
Não consigo aliás deixar de associar os personagens a pessoas específicas que conheci. (desafio: com quem acham que eu me identifico?).
Mas é ficção-científica? Bem, as opiniões podem divergir, mas sem dúvida que a ciência E a ficção-científica são eixos principais dos argumentos.
Acho a série muito divertida, acho os personagens credíveis (dada a latitude da crítica, que exagera os estereótipos), os cenários são realistas e a ciência é MUITO sólida. A tecnologia é MUITO sólida. E a filosofia. Mais, os episódios são curtos, 20 min., o que torna a sua visualização bem relaxante e eficaz.
Se tem algum interesse em FC, ou em ciência, veja a BBT. A ordem dos episódios é em boa medida arbitrária, depois de se entrar dentro de cada personagem. Umas fotos seguem.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Big_Bang_Theory (consultada em 2015-03-29)
https://torrentfreak.com/game-of-thrones-most-pirated-tv-show-of-2013-131225/ (consultada em 2015-03-29)
Estou a falar sobre a enormemente popular comédia norte-americana (é provavelmente a série mais vista nos Estados Unidos, uma fonte estimou que, em 2013, nos EEUU, foi vista na TV, por mais de 20 milhões, contra menos de 6 milhões que vêm a "Guerra dos Tronos") em exibição desde 2007.
Eu não vejo mais nenhuma outra comédia, com alguma regularidade mínima.
Tenho de fazer uma declaração de interesse pessoal. Já trabalhei numa grande (grande em todos os sentidos) universidade californiana e, na ocasião, compartilhei a minha habitação - 2 andares, mais uma sub-loja com máquinas e outro hardware - , de forma informal e algo caótica, com alguns colegas. Uns viveram mesmo lá durante 1 ou mais anos, outros só de passagem, outros pernoitaram ocasionalmente. O único que resta do meu tempo já fez 32 anos de casa. A esmagadora maioria eram jovens investigadores e/ou professores e/ou estudantes graduados nas áreas das ciência exactas. A sala maior tinha uma larga janela vitral. Tudo praticamente uma réplica da série.
( Diferenças importante: tínhamos um enorme e muito frondoso quintal , cheio de racons, esquilos, cobras cascavéis, tarântulas e, ocasionalmente, com ursos e veados, a casa e o jardim ainda lá estão e podem ser vistos nas fotos de satélite, por exemplo no google maps, 37.89020, -122.25944, na altura existiam menos casas. Não havia Internet.).
Não consigo aliás deixar de associar os personagens a pessoas específicas que conheci. (desafio: com quem acham que eu me identifico?).
Mas é ficção-científica? Bem, as opiniões podem divergir, mas sem dúvida que a ciência E a ficção-científica são eixos principais dos argumentos.
Acho a série muito divertida, acho os personagens credíveis (dada a latitude da crítica, que exagera os estereótipos), os cenários são realistas e a ciência é MUITO sólida. A tecnologia é MUITO sólida. E a filosofia. Mais, os episódios são curtos, 20 min., o que torna a sua visualização bem relaxante e eficaz.
Se tem algum interesse em FC, ou em ciência, veja a BBT. A ordem dos episódios é em boa medida arbitrária, depois de se entrar dentro de cada personagem. Umas fotos seguem.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Big_Bang_Theory (consultada em 2015-03-29)
https://torrentfreak.com/game-of-thrones-most-pirated-tv-show-of-2013-131225/ (consultada em 2015-03-29)
2015-03-28
FC na TV
Devido ao enorme pressão pelas forças vivas do país, resolvi voltar a publicar a minha insanemente popular série "FC na TV".
Click no link abaixo para ver os posts já publicados, e cada dia vão aparecer mais no mesmo link.
http://lasers-na-selva.blogspot.pt/search/label/fc_na_tv
ATENÇÃO: todos os textos (mas não os links) foram escritos com o cuidado de não estragar o suspense. Recomendo que não vá ver os links antes de ver o filme.
Click no link abaixo para ver os posts já publicados, e cada dia vão aparecer mais no mesmo link.
http://lasers-na-selva.blogspot.pt/search/label/fc_na_tv
ATENÇÃO: todos os textos (mas não os links) foram escritos com o cuidado de não estragar o suspense. Recomendo que não vá ver os links antes de ver o filme.
Macacos, 12 (2015)
12 macacos é, até onde sei, a série de FC mas recente que corre na TV.
É inspirada no filme do mesmo nome de 1995 que teve sucesso que, em minha opinião, foi merecido. (e que por sua vez foi beber a outro filme, e etc).
Sendo inspirado não segue de modo nenhum a mesma história apesar de conservar uma das personagens mais interessantes do filme. Estou a falar do louco(?), filho de um magnate, que é foi desempenhado por Brad Pitt em 1995 (o personagem principal é o Bruce Williams, que é bastante activo em FC - Vício, Avatars tenho de falar sobre esses também). O louco é agora a louca, mas continua interessante, apesar de nunca ter compartilhado hospício com o protagonista, pelos que se sabe.
A Dra. Bem agora não é agora esse tipo de doutora, mas continua interessante.
Partindo do sucesso a fasquia estava alta. Além disso as histórias que envolvem viagens no tempo escalam mal, isto é, é difícil prolongar a história sem a coisa comece a fazer muito pouco sentido. Claro que um argumento que envolva viagens no tempo é sempre incompreensível (se você percebeu, então é porque não percebeu) mas isso pode ser interessante se a coisa não se perder com rodriguinhos e não se alongar (ver Continuum, sobre o qual espero escrever aqui, algures no tempo).
Pois estou bem impressionado. Nos 10 episódios já irradiados, a história mantêm-se interessante, minimamente coerente, e as representações são verosímeis.
Aparentemente no último episódio (s01e10) foi introduzido um novo paradigma. Aliás o meme já corre na internet "R é T" (não transcrevo tudo para não quebrar o suspense). As pistas estavam lá à muito, mas eram imprescrutáveis, até agora.
Não sei se R é T, ou não é (ninguém sabe, claro) mas abre a perspectiva de transformar a coisa numa (eterna?) luta entre aqueles que querem conservar a sua linha temporal, que consideram a legítima, onde estão as pessoas que amam, e os que tentam melhor algum presente, por exemplo, matando o Hitler em criança, mesmo que pagando o último preço de nunca terem existido.
Fico na perspectiva se os autores vão aproveitar a ideia (boa, mas algo óbvia) ou criar mais suspense seguindo noutra direcção.
E sim "12 não é primo", talvez pegue, é algo trivial e duvido que tenha alguma relevância na história mas pelo menos desperta nas pessoas alguma curiosidade. O quatro, o seis, o oito e o nove também não.
A série tem fragilidades. Alguns episódios da guerra pelo poder são inverosímeis.
Mas a primeira temporada já está ganha, apesar de ainda não ter terminado. Se aprecia FC e se tiver oportunidade veja a primeira temporada dos 12 macacos. As outras logo se verá. Mas em qualquer caso veja os epesódios pela ordem que forem emitidos, sem saltar nenhum episódio. Falha em fazer isso pode resultar em dabos cerebrais
Ficam umas fotos por ordem caótica para não se deixar perceber alguma coisa.
http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys (consultado em 2015-03-28)
http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys_(TV_series) (consultado em 2015-03-28)
É inspirada no filme do mesmo nome de 1995 que teve sucesso que, em minha opinião, foi merecido. (e que por sua vez foi beber a outro filme, e etc).
Sendo inspirado não segue de modo nenhum a mesma história apesar de conservar uma das personagens mais interessantes do filme. Estou a falar do louco(?), filho de um magnate, que é foi desempenhado por Brad Pitt em 1995 (o personagem principal é o Bruce Williams, que é bastante activo em FC - Vício, Avatars tenho de falar sobre esses também). O louco é agora a louca, mas continua interessante, apesar de nunca ter compartilhado hospício com o protagonista, pelos que se sabe.
A Dra. Bem agora não é agora esse tipo de doutora, mas continua interessante.
Partindo do sucesso a fasquia estava alta. Além disso as histórias que envolvem viagens no tempo escalam mal, isto é, é difícil prolongar a história sem a coisa comece a fazer muito pouco sentido. Claro que um argumento que envolva viagens no tempo é sempre incompreensível (se você percebeu, então é porque não percebeu) mas isso pode ser interessante se a coisa não se perder com rodriguinhos e não se alongar (ver Continuum, sobre o qual espero escrever aqui, algures no tempo).
Pois estou bem impressionado. Nos 10 episódios já irradiados, a história mantêm-se interessante, minimamente coerente, e as representações são verosímeis.
Aparentemente no último episódio (s01e10) foi introduzido um novo paradigma. Aliás o meme já corre na internet "R é T" (não transcrevo tudo para não quebrar o suspense). As pistas estavam lá à muito, mas eram imprescrutáveis, até agora.
Não sei se R é T, ou não é (ninguém sabe, claro) mas abre a perspectiva de transformar a coisa numa (eterna?) luta entre aqueles que querem conservar a sua linha temporal, que consideram a legítima, onde estão as pessoas que amam, e os que tentam melhor algum presente, por exemplo, matando o Hitler em criança, mesmo que pagando o último preço de nunca terem existido.
Fico na perspectiva se os autores vão aproveitar a ideia (boa, mas algo óbvia) ou criar mais suspense seguindo noutra direcção.
E sim "12 não é primo", talvez pegue, é algo trivial e duvido que tenha alguma relevância na história mas pelo menos desperta nas pessoas alguma curiosidade. O quatro, o seis, o oito e o nove também não.
A série tem fragilidades. Alguns episódios da guerra pelo poder são inverosímeis.
Mas a primeira temporada já está ganha, apesar de ainda não ter terminado. Se aprecia FC e se tiver oportunidade veja a primeira temporada dos 12 macacos. As outras logo se verá. Mas em qualquer caso veja os epesódios pela ordem que forem emitidos, sem saltar nenhum episódio. Falha em fazer isso pode resultar em dabos cerebrais
Ficam umas fotos por ordem caótica para não se deixar perceber alguma coisa.
http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys (consultado em 2015-03-28)
http://en.wikipedia.org/wiki/12_Monkeys_(TV_series) (consultado em 2015-03-28)
2015-02-03
Source Code 2011
Não não vou estragar a surpresa. Se ainda não viu o filme, vá ver e só depois clik os links no fim. Para já fique a saber que foi um dos filmes que me surpreender mais - pela positiva - dos últimos
Os actores dão bem conta do seu papel e nunca se sente que estão fora do aquário. Até tem uma (ou duas?) história de amor simples mas bem esgalhada.
SE aprecia FC, não deixe passar este filme. Se não aprecia também. É daqueles filmes que eu recomendo a quem não aprecia o género, a ver se mudam de opinião.
http://en.wikipedia.org/wiki/Source_Code (consultado em 2015-02-03)
tempos. A história é simples e está bem construída e não vislumbrei qualquer "buraco", atendendo a que a histórias desta temática são sempre intrinsecamente incoerentes.
Os actores dão bem conta do seu papel e nunca se sente que estão fora do aquário. Até tem uma (ou duas?) história de amor simples mas bem esgalhada.
SE aprecia FC, não deixe passar este filme. Se não aprecia também. É daqueles filmes que eu recomendo a quem não aprecia o género, a ver se mudam de opinião.
http://en.wikipedia.org/wiki/Source_Code (consultado em 2015-02-03)
2015-01-26
Uma tragédia na Grécia
As eleições na Grécia iniciaram uma experiência a nível europeu de um nível sem precedentes desde a queda da URSS.
Na minha modesta opinião o partido que ganhou as eleições, apesar do nome, tem um programa muito moderado, e tem tido um comportamento, que não pode deixar de ter a minha admiração.
Bem há aquela coisa de se ter aliado com um partido de direita, populista, xenófobo, homofóbico, e clerical, comparável à frente nacional em França. Não é um partido fascista (como a FN não o é) mas está claramente à direita da maioria dos partido com acento parlamentar na UE. Mas não estou suficientemente dentro dos detalhes da situação Grega para criticar de imediato.
A proposta do Syriza são de elementar bom senso e, se conseguissem reunir consenso no seio da União poderiam representar uma hipótese da Europa sair do profundo fosso a que, políticos sem visão e focados nos seus próprios interesses, a conduziram.
É evidente que a dívida grega, tal como a portuguesa, nunca será paga, e entretanto sacrificam-se gerações se qualquer sentido e, o que é pior, sem que esse sacrifício conduza a alguma coisa de melhor.
A arrojada experiência grega poderia conduzir as multidões que sentem, com razão, que estão a ser roubadas pelos cartéis de banqueiros e advogados, numa trajectória democrática e renovadora.
Dito isto, temo o pior. Não estou a ver como os poderes que gerem o capital internacional possam permitir que o Syriza cumpra o que prometeu.
E não estou a ver como os eleitores alemães vai aceitar pagar a conta.
Se o problema fosse só a Grécia talvez a situação fosse manejável, mas existe Portugal, Espanha, Itália e talvez mesmo a Irlanda (sim, são os PIIGS).
Se as troikas permitissem alguma renegociação substancial dariam um empurrão valente a partidos, novos ou antigos, para proporem medidas semelhantes.
Vamos-nos deixar de generalidades. O governo da Grécia vais, nos próximos meses, e como é óbvio aplicar o seu programa de governo. Como resultado a bolsa de Atenas vai cair e modo acentuado, o que não terá um impacto significativo sobre a economia mundial, já que a Grécia é apenas uma parte diminuta da economia global. Pelo mesmo motivo o euro irá sofrer alguma coisa, mas nada de muito importante.
Até aqui nada de especial. Um governo eleito democraticamente faz aquilo que acha que deve fazer.
O problema vai surgir quando a Grécia precisar de empréstimos no estrangeiro. E vai precisar, nos próximos meses.
Estes empréstimos não lhe vão ser concedidos. Não serão concedidos sem que a Grécia aplique um certo número de medidas que não vai poder adoptar sem o partido no poder implodir.
Na falta desse dinheiro a Grécia entrará de imediato numa situação de crise económica e social. Não, a China a Rússia e a Venezuela não vão meter nenhum dinheiro.
A atempada entrega de ajuda de emergência (comida, roupas, medicamentos) por parte das agência comunitárias vai evitar uma crise humanitária, mas as percussões terão um alcance enorme.
Não posso acabar este artigo sobre a Grécia sem deixar de falar da morte de Demis Roussos (Artemios Ventouris-Roussos). A maior parte da obra dele não é do meu agrado. Até tinha um colega de faculdade que se lhe referia a ele através de um trocadilho do primeiro nome com o nome do órgão sexual viril.
No entanto é de assinalar alguns momentos notáveis na sua carreira como a interpretação do tema "Tales of the Future", incluído na banda do filme "Blade Runner".
De qualquer maneira deixo outra notável interpretação (até que o youtube corte a ligação). Demis Roussos é a voz, claro e Vangelis (Evangelos Odysseas Papathanassiou, a quem estavam destinados voos mais altos) está nas teclas e numa espécie de gaita . Como eles eram jovens e magros (e eu também).
Na minha modesta opinião o partido que ganhou as eleições, apesar do nome, tem um programa muito moderado, e tem tido um comportamento, que não pode deixar de ter a minha admiração.
Bem há aquela coisa de se ter aliado com um partido de direita, populista, xenófobo, homofóbico, e clerical, comparável à frente nacional em França. Não é um partido fascista (como a FN não o é) mas está claramente à direita da maioria dos partido com acento parlamentar na UE. Mas não estou suficientemente dentro dos detalhes da situação Grega para criticar de imediato.
A proposta do Syriza são de elementar bom senso e, se conseguissem reunir consenso no seio da União poderiam representar uma hipótese da Europa sair do profundo fosso a que, políticos sem visão e focados nos seus próprios interesses, a conduziram.
É evidente que a dívida grega, tal como a portuguesa, nunca será paga, e entretanto sacrificam-se gerações se qualquer sentido e, o que é pior, sem que esse sacrifício conduza a alguma coisa de melhor.
A arrojada experiência grega poderia conduzir as multidões que sentem, com razão, que estão a ser roubadas pelos cartéis de banqueiros e advogados, numa trajectória democrática e renovadora.
Dito isto, temo o pior. Não estou a ver como os poderes que gerem o capital internacional possam permitir que o Syriza cumpra o que prometeu.
E não estou a ver como os eleitores alemães vai aceitar pagar a conta.
Se o problema fosse só a Grécia talvez a situação fosse manejável, mas existe Portugal, Espanha, Itália e talvez mesmo a Irlanda (sim, são os PIIGS).
Se as troikas permitissem alguma renegociação substancial dariam um empurrão valente a partidos, novos ou antigos, para proporem medidas semelhantes.
Vamos-nos deixar de generalidades. O governo da Grécia vais, nos próximos meses, e como é óbvio aplicar o seu programa de governo. Como resultado a bolsa de Atenas vai cair e modo acentuado, o que não terá um impacto significativo sobre a economia mundial, já que a Grécia é apenas uma parte diminuta da economia global. Pelo mesmo motivo o euro irá sofrer alguma coisa, mas nada de muito importante.
Até aqui nada de especial. Um governo eleito democraticamente faz aquilo que acha que deve fazer.
O problema vai surgir quando a Grécia precisar de empréstimos no estrangeiro. E vai precisar, nos próximos meses.
Estes empréstimos não lhe vão ser concedidos. Não serão concedidos sem que a Grécia aplique um certo número de medidas que não vai poder adoptar sem o partido no poder implodir.
Na falta desse dinheiro a Grécia entrará de imediato numa situação de crise económica e social. Não, a China a Rússia e a Venezuela não vão meter nenhum dinheiro.
A atempada entrega de ajuda de emergência (comida, roupas, medicamentos) por parte das agência comunitárias vai evitar uma crise humanitária, mas as percussões terão um alcance enorme.
Não posso acabar este artigo sobre a Grécia sem deixar de falar da morte de Demis Roussos (Artemios Ventouris-Roussos). A maior parte da obra dele não é do meu agrado. Até tinha um colega de faculdade que se lhe referia a ele através de um trocadilho do primeiro nome com o nome do órgão sexual viril.
No entanto é de assinalar alguns momentos notáveis na sua carreira como a interpretação do tema "Tales of the Future", incluído na banda do filme "Blade Runner".
De qualquer maneira deixo outra notável interpretação (até que o youtube corte a ligação). Demis Roussos é a voz, claro e Vangelis (Evangelos Odysseas Papathanassiou, a quem estavam destinados voos mais altos) está nas teclas e numa espécie de gaita . Como eles eram jovens e magros (e eu também).
2015-01-24
2015-01-11
Arrumando o passado 1
Estive a ver o filme "Melody".
Vi a primeira vez esse filme no Verão de 72. Gostei bastante talvez porque era jovem e estava apaixonado.
Jovem porém não era propriamente inocente, já integrado no meia académico que fervilhava.
Sabia que os filmes eram todos censurados na altura, mas não pensei que uma muito inocente história de amor na puberdade, tivesse criado algum problema com a censura. O filme exercita um certo voyarismo sobre os corpos pré-adolescentes, mas na altura isso não era ainda um crime ("Morte em Veneza", anyone?).
Entretanto o filme desapareceu do radar. Bem aparentemente passou outra vez em Lisboa no Verão de 75, certamente na versão integral, mas quem é que é que ia ao cinema uma banal história de amor em 75? Tinha de ser qualquer coisa mais forte como "If...", ou mesmo "a Laranja Mecânica" (sim o Malcolm esteve nos dois). Coisas que a censura não tinha deixado passar de todo.
Na TV, nunca o vi. O que é algo de espantar, até porque tem lá nomes forte, Bee Gees, Crosby, Stills, Nash and Young, (Sir) Alan Parker (cuidado não é Parsons - dark side of the moon - como eu quase ia escrevendo). Se calhar passou, mas eu não vi,
Talvez aquela coisa dos corpos pré-adolescentes tenha alguma coisa a ver com isso. O que, sei lá, talvez explique o enorme sucesso do filme no Japão (sim, vi o filme e estive a ver a wikipédia). No entanto a "Morte em Veneza" tem passado.
Felizmente a globalização veio em meu socorro é voltei a encontrar o filme. Como os anos 60 (data da localização do filme) parecem tão distantes.
E estava enganado. O filme tinha sido severamente editado pela censura, principalmente a parte anarco-bombista final que teria feito as minhas delícias na altura (se tivesse ao menos suspeitado). O que retrospectivamente faz todo o sentido (outra vez, se eu menos tivesse suspeitado). Como isso muda o filme, como o fim aparentemente trivial, anti-clímax diria, muda.
E sim, agora percebo porque é quando vi o filme "The Wall" me pareceu que já tinha visto aqueles cenários, e aquele mestre escola, em qualquer lado - a diferença está, claro, que eu já não era novo quando passou o "The Wall".
E um dia deste tenho de voltar a ver o "If...", que também desapareceu do radar - sim nesse era ainda novo e apaixonado.
http://en.wikipedia.org/wiki/Melody_(1971_film) (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd_%E2%80%93_The_Wall (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/If.... (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/Death_in_Venice_(film) (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/A_Clockwork_Orange_(film) (visitado em 2015-01-11)
Vi a primeira vez esse filme no Verão de 72. Gostei bastante talvez porque era jovem e estava apaixonado.
Jovem porém não era propriamente inocente, já integrado no meia académico que fervilhava.
Sabia que os filmes eram todos censurados na altura, mas não pensei que uma muito inocente história de amor na puberdade, tivesse criado algum problema com a censura. O filme exercita um certo voyarismo sobre os corpos pré-adolescentes, mas na altura isso não era ainda um crime ("Morte em Veneza", anyone?).
Entretanto o filme desapareceu do radar. Bem aparentemente passou outra vez em Lisboa no Verão de 75, certamente na versão integral, mas quem é que é que ia ao cinema uma banal história de amor em 75? Tinha de ser qualquer coisa mais forte como "If...", ou mesmo "a Laranja Mecânica" (sim o Malcolm esteve nos dois). Coisas que a censura não tinha deixado passar de todo.
Na TV, nunca o vi. O que é algo de espantar, até porque tem lá nomes forte, Bee Gees, Crosby, Stills, Nash and Young, (Sir) Alan Parker (cuidado não é Parsons - dark side of the moon - como eu quase ia escrevendo). Se calhar passou, mas eu não vi,
Talvez aquela coisa dos corpos pré-adolescentes tenha alguma coisa a ver com isso. O que, sei lá, talvez explique o enorme sucesso do filme no Japão (sim, vi o filme e estive a ver a wikipédia). No entanto a "Morte em Veneza" tem passado.
Felizmente a globalização veio em meu socorro é voltei a encontrar o filme. Como os anos 60 (data da localização do filme) parecem tão distantes.
E estava enganado. O filme tinha sido severamente editado pela censura, principalmente a parte anarco-bombista final que teria feito as minhas delícias na altura (se tivesse ao menos suspeitado). O que retrospectivamente faz todo o sentido (outra vez, se eu menos tivesse suspeitado). Como isso muda o filme, como o fim aparentemente trivial, anti-clímax diria, muda.
E sim, agora percebo porque é quando vi o filme "The Wall" me pareceu que já tinha visto aqueles cenários, e aquele mestre escola, em qualquer lado - a diferença está, claro, que eu já não era novo quando passou o "The Wall".
E um dia deste tenho de voltar a ver o "If...", que também desapareceu do radar - sim nesse era ainda novo e apaixonado.
http://en.wikipedia.org/wiki/Melody_(1971_film) (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd_%E2%80%93_The_Wall (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/If.... (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/Death_in_Venice_(film) (visitado em 2015-01-11)
http://en.wikipedia.org/wiki/A_Clockwork_Orange_(film) (visitado em 2015-01-11)
2015-01-06
sobre o ISIS - Parte 3 (incertezas)
Dito o que foi dito restam algumas incertezas. Não que tenham muito a ver com o ISIS, mas têm alguma coisa a ver com o ISIS.
O principal, se bem que muito hipotético, perigo para o status-quo no que se designa por médio oriente (o termo em si faz muito pouco sentido, mas pegou e o uso legitimou) será uma crise de sucessão na Arábia Saudita.
O processo de ascensão a chefe de governo é um processo obscuro e implica muitos jogos de poder dentro da classe dominante e, como todos os processos semelhantes, a luta pelo poder pode levar a desenvolvimentos muito sórdidos.
Não é inimaginável que alguma facção descubra que está em desvantagem para chegar ao poder, e resolva jogar cinicamente a carta do populismo radical islâmico para equilibrar as cartas. Alianças "com o demónio" para atingir ou manter o poder é uma coisa bem documentada historicamente.
Não que a actual família reinante não configure radicalismos islâmico. Mas não é populista.
Um golpe de estado palaciano populista poderia lançar as populações, que não conhecem muito mais que o alcorão, e que se sente oprimida por uma monarquia absolutista (apesar de viverem comparativamente bem, cortesia dos petrodólares) e que sente que a adesão dos governantes a religião é fundamentalmente circunstancial (e têm razão).
Alguma ajuda poderá mesmo vir dos emigrantes legais, que vivem muita situação quase sempre ao nível de escravatura, mas são muitos e deles depende o funcionamento da sociedade saudita. Os emigrantes vivem bem controlados, graça a uma polícia com poucos escrúpulos. Mas e se esse controlo falhar, mesmo que sejam umas horas? Ao contrário da população em geral esses têm realmente razão de queixa e odeiam a família reinante, e na maioria nem sequer receberam, nem perto, os vencimentos que lhes foram prometidos.
Nesse cenário o ISIS pode ter algum envolvimento, e ganho, no terreno. Porém penso que uma ala mais tradicional no reino, apoiada pelos emiratos e pelos EUA terão a última palavra.
Também há um perigo de uma atentado terrorista em larga escala aos Estados Unidos ou à Europa. Não estou a falar de uma coisa como o 11 de Setembro.
O 11 de Setembro foi uma brincadeira de crianças. No ataque morreram um pouco menos que 3000 pessoas. É preciso por isso em respectiva. Provavelmente os acidentes de viação de quem ficou com medo de andar de avião mataram mais gente. Talvez 3000 emigrantes clandestinos morram todos os anos a tentar chegar a Itália, só conto os que tentam chegar a Itália e só durante uma ano, O mais recente surto de ébola já deve ter matado 10000 pessoas nos últimos 9 meses.
Estou a falar de coisas que causem o pânico global, justificado ou não, em largos grupos populacionais, com grande queda económica, extensiva perda de valor de propriedades, crash na bolsa.
Estou a falar em rebentar com a barragem de Grand Coulee (47.95689, -118.97822) ou espalhar Estrôncio-90 sobre Manhattan (quando se dispõe de mão de obra descartável, mas MESMO descartável, abrem-se um enorme leque de possibilidades técnicas).
Esses cenários são altamente improváveis, mas não de todo impossíveis.
De qualquer maneira esse tipo de atentados terá muito pouco a ver com o ISIS. Se não for o ISIS será a Al Qaeda ou a Frente Popular da Judia.
Mais provável é uma ataque nuclear por misseis da Coreia do Norte a Tóquio, e isso não terá mesmo nada a ver com o ISIS. Penso ter lido algures que a frase "que possas viver em tempos interessantes" é uma espécie de maldição.
Links
https://www.schneier.com/blog/archives/2006/06/movieplot_threa_1.html (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/Radioisotope_thermoelectric_generator (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/Beta-M (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/May_you_live_in_interesting_times (visitado em 2015-01-06)
https://www.youtube.com/watch?v=gb_qHP7VaZE (visitado em 2015-01-06)
O principal, se bem que muito hipotético, perigo para o status-quo no que se designa por médio oriente (o termo em si faz muito pouco sentido, mas pegou e o uso legitimou) será uma crise de sucessão na Arábia Saudita.
O processo de ascensão a chefe de governo é um processo obscuro e implica muitos jogos de poder dentro da classe dominante e, como todos os processos semelhantes, a luta pelo poder pode levar a desenvolvimentos muito sórdidos.
Não é inimaginável que alguma facção descubra que está em desvantagem para chegar ao poder, e resolva jogar cinicamente a carta do populismo radical islâmico para equilibrar as cartas. Alianças "com o demónio" para atingir ou manter o poder é uma coisa bem documentada historicamente.
Não que a actual família reinante não configure radicalismos islâmico. Mas não é populista.
Um golpe de estado palaciano populista poderia lançar as populações, que não conhecem muito mais que o alcorão, e que se sente oprimida por uma monarquia absolutista (apesar de viverem comparativamente bem, cortesia dos petrodólares) e que sente que a adesão dos governantes a religião é fundamentalmente circunstancial (e têm razão).
Alguma ajuda poderá mesmo vir dos emigrantes legais, que vivem muita situação quase sempre ao nível de escravatura, mas são muitos e deles depende o funcionamento da sociedade saudita. Os emigrantes vivem bem controlados, graça a uma polícia com poucos escrúpulos. Mas e se esse controlo falhar, mesmo que sejam umas horas? Ao contrário da população em geral esses têm realmente razão de queixa e odeiam a família reinante, e na maioria nem sequer receberam, nem perto, os vencimentos que lhes foram prometidos.
Nesse cenário o ISIS pode ter algum envolvimento, e ganho, no terreno. Porém penso que uma ala mais tradicional no reino, apoiada pelos emiratos e pelos EUA terão a última palavra.
Também há um perigo de uma atentado terrorista em larga escala aos Estados Unidos ou à Europa. Não estou a falar de uma coisa como o 11 de Setembro.
O 11 de Setembro foi uma brincadeira de crianças. No ataque morreram um pouco menos que 3000 pessoas. É preciso por isso em respectiva. Provavelmente os acidentes de viação de quem ficou com medo de andar de avião mataram mais gente. Talvez 3000 emigrantes clandestinos morram todos os anos a tentar chegar a Itália, só conto os que tentam chegar a Itália e só durante uma ano, O mais recente surto de ébola já deve ter matado 10000 pessoas nos últimos 9 meses.
Estou a falar de coisas que causem o pânico global, justificado ou não, em largos grupos populacionais, com grande queda económica, extensiva perda de valor de propriedades, crash na bolsa.
Estou a falar em rebentar com a barragem de Grand Coulee (47.95689, -118.97822) ou espalhar Estrôncio-90 sobre Manhattan (quando se dispõe de mão de obra descartável, mas MESMO descartável, abrem-se um enorme leque de possibilidades técnicas).
Esses cenários são altamente improváveis, mas não de todo impossíveis.
De qualquer maneira esse tipo de atentados terá muito pouco a ver com o ISIS. Se não for o ISIS será a Al Qaeda ou a Frente Popular da Judia.
Mais provável é uma ataque nuclear por misseis da Coreia do Norte a Tóquio, e isso não terá mesmo nada a ver com o ISIS. Penso ter lido algures que a frase "que possas viver em tempos interessantes" é uma espécie de maldição.
Links
https://www.schneier.com/blog/archives/2006/06/movieplot_threa_1.html (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/Radioisotope_thermoelectric_generator (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/Beta-M (visitado em 2015-01-06)
https://en.wikipedia.org/wiki/May_you_live_in_interesting_times (visitado em 2015-01-06)
https://www.youtube.com/watch?v=gb_qHP7VaZE (visitado em 2015-01-06)
2014-11-30
sobre o ISIS - Parte 2 (futuro)
Qual o futuro do ISIS. Vejamos capítulo a capítulo.
Financiamento
O saque tem-se revelado uma actividade muito lucrativa, mas a sua repetição dará cada vez menos. Os resgates de prisioneiros também é uma actividade que vai diminuir à medida que o número de possíveis cativos lucrativos, dispostos a viajar para a região, for diminuindo.
O lucro com a venda de petróleo, principalmente através da Turquia, só pode diminuir. Para já o petróleo está barato, mas mesmo que aumente, os poços de petróleo são alvos fáceis par ataques aéreos. Não serão todos de um dia para o outro, mas é sempre muito mais fácil de destruir, do que por de novo em funcionamento, para quem disponha de superioridade aérea indisputada. No caso do ISIS conseguir pôr a funcionar refinarias ou portos esses tornar-se-ão alvos bem mais fáceis que os poços.
Também o fluxo de dinheiro recebido dos estados xiitas prósperos da área (à frente a Arábia Saudita) tenderá a ser fortemente limitado. É um facto que religiosamente a ISIS é muito próxima das petro-monarquias. No entanto o facto de terem proclamado "o califado" faz arrepios na espinha dos monarcas da região, desafiando abertamente a sua legitimidade como chefes de estado. Como resultado irão reagir de modo a estancar esse fluxo. E não têm a reputação de ser meigos.
Em breve o ISIS vai precisar de alimentos, munições, manutenção, veículos e comida. Não estou a ver onde os vai obter e como vai pagar.
Recrutamento
O ISIS tem recrutado entre os xiitas no Norte do Iraque, de entre os convertidos à força, de entre fiéis a Saddam Hussein e entre comunidades muçulmanas por todo o mundo. Todas estas fontes estão próximas já do seu limite (o recrutamento internacional é pequeno, apesar de grande cobertura mediática).
Muitos do combatentes do ISIS aliás só se mantêm na força porque receiam todo o tipo de represálias. Por isso o ISIS coloca os voluntários internacionais nos vídeos mais sangrentos, A mensagem é óbvia: se regressarem serão acusados de crimes contra a humanidade.
(Um programa que permitisse o regresso, com acusações mitigadas, em troco de colaboração, informação, infiltração e propaganda seria uma boa ideia).
Território
O estudo da História é uma coisa útil. Em 1967 o Egipto preparava-se para atacar Israel, tendo junto forças armadas numa superioridade de 1 para 3. E tinha atrás de si o potencial militar e económico do bloco de leste.
No entanto, num ataque aéreo de surpresa, Israel destruiu a força aérea egípcia. A partir daí os aviões puderam destruir de modo metódico o exército árabe que incluía um elevado número de tanques. A guerra durou apenas 6 dias. Esse é o modelo contra o qual o ISIS se defronta, numa geografia semelhante (e muito diferente da geografia do Vietname onde a selva e o clima tornaram a aviação menos efectiva).
Todo indica que a coligação que se opõe ao ISIS vai manter a calma. Pode permitir-se ao luxo de deixar alguns ganhos territoriais, apoiando com ataques e abastecimentos aéreos todas as forças anti-ISIS na região.
Até onde pode ir o ISIS? Será talvez parado pelas forças curdas a N/NE. Mas mesmo que não o seja será parado pela Turquia. Para já a Turquia lucra com o conflito, ganha com o transito de petróleo do ISIS e enfraquece os curdos. Mas tudo mudará se sentir ameaça directa.
Mais a W poderá controlar a Síria, mas o controlo total da Síria é improvável, não impossível, mas improvável. Há por lá os xiitas também cabeça dura e com a ajuda da aviação, serão um factor bastante desgastante do ISIS.
O Líbano é um alvo possível mas não particularmente valioso.
A Jordânia quando esteve quase a ser anexada pela Síria em 1970 e escapou quando o rei pediu "auxílio proveniente de qualquer quadrante". Israel enviou os seus aviões a a Jordânia sobreviveu. Tudo indica que algo de semelhante se possa vir a passar, se o ISIS se deslocar para esse lado. Israel também dispõe das fotos remotas obtidas pelos americanos.
A autoridade palestiniana é também um alvo possível do ISIS, mas os recursos ganhos serão muito magros e a reputação muito manchada.
As forças do ISIS podem chegar à fronteira com a Arábia Saudita. Mas a Arábia Saudita tem umas forças armadas, incluindo aviação, bem preparadas e equipadas. E o apoio incondicional dos americanos.
A sul o ISIS faz frente com o Iraque xiita. Sobre a linha de Badgad - onde as seitas têm a sua linha de separação - os combates podem ser ferozes e incertos, mas é improvável que o ISIS faça um avanço significativo sobre o coração xiita do Iraque mais a sul.
A Este fica o Irão. Não é verosímil que o Irão ceda um metro de terreno aos seus arqui-inimigos. Muito mais fraco estava o Irão nos anos 80 e não cedeu.
Ao jeito de conclusão
De momento o ISIS vai manter o território que ocupa, usando as populações como escudo e cometendo ao mesmo tempo as barbaridades a que nos tem habituado. Não é bonito, mas também não vejo o que se possa fazer. As vítimas poderão resistir usando lasers para marcar alvos, o que será uma boa ajuda, mas não podem fazer muito mais, e mesmo isso será a um custo pessoal elevado.
O ISIS pode escavar túneis para escapar aos bombardeamentos, mas o que é que vão lá pôr? Para quê? Podem esconder tropas, mas as tropas nos subterrâneos têm pouco impacto militar.
Podem incendiar poços de petróleo, que não há muito mais coisa para arder, mas os efeitos serão limitados e com isso vão destruir uma possível fonte de rendimento (nada bom para o ambiente concedo).
O ISIS pode desencadear ataques suicidas muito sangrentos em qualquer ponto da região, usando muçulmanos xiitas infiltrados. Pode mesmo fazer atentados nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá, se bem que nesse caso o mais provável é que esses ataques venham de pequenos grupos obscurantistas cuja inspiração tanto pode vir do ISIS com da Al-Qaeda, como de qualquer outra força que lhes pareça apropriada.
O Oriente terá de aprender a viver com essa ameaça. Vais ser muito sangrento, mas sem real valor militar. Lambam as feridas e habituem-se. Isto inclui, à escala mais reduzida, Israel.
O Ocidente terá de aprender a viver com essa ameaça, que permanecerá muito para além do ISIS, É uma ameaça estatisticamente pouco significativa, mas o pânico pode ser gerado. Evitem aglomerações e habituem-se.
Também há o perigo da América ser levada a enviar tropas para o terreno. Não estou a ver como pode ter necessidade disso, mas a pressão da opinião pública pode causar essa tentação. Será um erro. As mesmas opiniões públicas serão as primeiras a gritar quando começarem a ver os corpos a voltar em sacos, mesmo que num número não significativo.
Mas à medida que o tempo passar o ISIS será casa vez mais desgastado. Não tem o tempo do seu lado.
Os muçulmanos no ocidente serão obrigados a tomar posição, mesmo que seja não tomarem posição nenhuma, o que será didáctico.
E, claro, uma gestão de inteligente da situação pela administração Obama pode dar aos democratas as eleições em 2016, altura pela qual o ISIS terá passado os seus melhores tempos. Um desenvolvimento muito positivo. Não é certo mas podemos ter uma certa esperança.
Financiamento
O saque tem-se revelado uma actividade muito lucrativa, mas a sua repetição dará cada vez menos. Os resgates de prisioneiros também é uma actividade que vai diminuir à medida que o número de possíveis cativos lucrativos, dispostos a viajar para a região, for diminuindo.
O lucro com a venda de petróleo, principalmente através da Turquia, só pode diminuir. Para já o petróleo está barato, mas mesmo que aumente, os poços de petróleo são alvos fáceis par ataques aéreos. Não serão todos de um dia para o outro, mas é sempre muito mais fácil de destruir, do que por de novo em funcionamento, para quem disponha de superioridade aérea indisputada. No caso do ISIS conseguir pôr a funcionar refinarias ou portos esses tornar-se-ão alvos bem mais fáceis que os poços.
Também o fluxo de dinheiro recebido dos estados xiitas prósperos da área (à frente a Arábia Saudita) tenderá a ser fortemente limitado. É um facto que religiosamente a ISIS é muito próxima das petro-monarquias. No entanto o facto de terem proclamado "o califado" faz arrepios na espinha dos monarcas da região, desafiando abertamente a sua legitimidade como chefes de estado. Como resultado irão reagir de modo a estancar esse fluxo. E não têm a reputação de ser meigos.
Em breve o ISIS vai precisar de alimentos, munições, manutenção, veículos e comida. Não estou a ver onde os vai obter e como vai pagar.
Recrutamento
O ISIS tem recrutado entre os xiitas no Norte do Iraque, de entre os convertidos à força, de entre fiéis a Saddam Hussein e entre comunidades muçulmanas por todo o mundo. Todas estas fontes estão próximas já do seu limite (o recrutamento internacional é pequeno, apesar de grande cobertura mediática).
Muitos do combatentes do ISIS aliás só se mantêm na força porque receiam todo o tipo de represálias. Por isso o ISIS coloca os voluntários internacionais nos vídeos mais sangrentos, A mensagem é óbvia: se regressarem serão acusados de crimes contra a humanidade.
(Um programa que permitisse o regresso, com acusações mitigadas, em troco de colaboração, informação, infiltração e propaganda seria uma boa ideia).
Território
O estudo da História é uma coisa útil. Em 1967 o Egipto preparava-se para atacar Israel, tendo junto forças armadas numa superioridade de 1 para 3. E tinha atrás de si o potencial militar e económico do bloco de leste.
No entanto, num ataque aéreo de surpresa, Israel destruiu a força aérea egípcia. A partir daí os aviões puderam destruir de modo metódico o exército árabe que incluía um elevado número de tanques. A guerra durou apenas 6 dias. Esse é o modelo contra o qual o ISIS se defronta, numa geografia semelhante (e muito diferente da geografia do Vietname onde a selva e o clima tornaram a aviação menos efectiva).
Todo indica que a coligação que se opõe ao ISIS vai manter a calma. Pode permitir-se ao luxo de deixar alguns ganhos territoriais, apoiando com ataques e abastecimentos aéreos todas as forças anti-ISIS na região.
Até onde pode ir o ISIS? Será talvez parado pelas forças curdas a N/NE. Mas mesmo que não o seja será parado pela Turquia. Para já a Turquia lucra com o conflito, ganha com o transito de petróleo do ISIS e enfraquece os curdos. Mas tudo mudará se sentir ameaça directa.
Mais a W poderá controlar a Síria, mas o controlo total da Síria é improvável, não impossível, mas improvável. Há por lá os xiitas também cabeça dura e com a ajuda da aviação, serão um factor bastante desgastante do ISIS.
O Líbano é um alvo possível mas não particularmente valioso.
A Jordânia quando esteve quase a ser anexada pela Síria em 1970 e escapou quando o rei pediu "auxílio proveniente de qualquer quadrante". Israel enviou os seus aviões a a Jordânia sobreviveu. Tudo indica que algo de semelhante se possa vir a passar, se o ISIS se deslocar para esse lado. Israel também dispõe das fotos remotas obtidas pelos americanos.
A autoridade palestiniana é também um alvo possível do ISIS, mas os recursos ganhos serão muito magros e a reputação muito manchada.
As forças do ISIS podem chegar à fronteira com a Arábia Saudita. Mas a Arábia Saudita tem umas forças armadas, incluindo aviação, bem preparadas e equipadas. E o apoio incondicional dos americanos.
A sul o ISIS faz frente com o Iraque xiita. Sobre a linha de Badgad - onde as seitas têm a sua linha de separação - os combates podem ser ferozes e incertos, mas é improvável que o ISIS faça um avanço significativo sobre o coração xiita do Iraque mais a sul.
A Este fica o Irão. Não é verosímil que o Irão ceda um metro de terreno aos seus arqui-inimigos. Muito mais fraco estava o Irão nos anos 80 e não cedeu.
Ao jeito de conclusão
De momento o ISIS vai manter o território que ocupa, usando as populações como escudo e cometendo ao mesmo tempo as barbaridades a que nos tem habituado. Não é bonito, mas também não vejo o que se possa fazer. As vítimas poderão resistir usando lasers para marcar alvos, o que será uma boa ajuda, mas não podem fazer muito mais, e mesmo isso será a um custo pessoal elevado.
O ISIS pode escavar túneis para escapar aos bombardeamentos, mas o que é que vão lá pôr? Para quê? Podem esconder tropas, mas as tropas nos subterrâneos têm pouco impacto militar.
Podem incendiar poços de petróleo, que não há muito mais coisa para arder, mas os efeitos serão limitados e com isso vão destruir uma possível fonte de rendimento (nada bom para o ambiente concedo).
O ISIS pode desencadear ataques suicidas muito sangrentos em qualquer ponto da região, usando muçulmanos xiitas infiltrados. Pode mesmo fazer atentados nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá, se bem que nesse caso o mais provável é que esses ataques venham de pequenos grupos obscurantistas cuja inspiração tanto pode vir do ISIS com da Al-Qaeda, como de qualquer outra força que lhes pareça apropriada.
O Oriente terá de aprender a viver com essa ameaça. Vais ser muito sangrento, mas sem real valor militar. Lambam as feridas e habituem-se. Isto inclui, à escala mais reduzida, Israel.
O Ocidente terá de aprender a viver com essa ameaça, que permanecerá muito para além do ISIS, É uma ameaça estatisticamente pouco significativa, mas o pânico pode ser gerado. Evitem aglomerações e habituem-se.
Também há o perigo da América ser levada a enviar tropas para o terreno. Não estou a ver como pode ter necessidade disso, mas a pressão da opinião pública pode causar essa tentação. Será um erro. As mesmas opiniões públicas serão as primeiras a gritar quando começarem a ver os corpos a voltar em sacos, mesmo que num número não significativo.
Mas à medida que o tempo passar o ISIS será casa vez mais desgastado. Não tem o tempo do seu lado.
Os muçulmanos no ocidente serão obrigados a tomar posição, mesmo que seja não tomarem posição nenhuma, o que será didáctico.
E, claro, uma gestão de inteligente da situação pela administração Obama pode dar aos democratas as eleições em 2016, altura pela qual o ISIS terá passado os seus melhores tempos. Um desenvolvimento muito positivo. Não é certo mas podemos ter uma certa esperança.
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