2015-09-20

Os Refugiados - uma Reality Show

Há uns tempos referia que a Grécia era como uma telenovela. Bem a crise dos refugiados é pior - é uma reality show.

Lembra-se da locutora a abrir o telejornal e , no tom de quase apoplexia, dizer "o Joãozinho foi expulso da casa dos milhões". Também eu.

Não percebem mal, estou solidário com os que fogem à morte e à escravatura mais crua e abjecta. Como é o caso de maioria daqueles a que se designa por refugiados no contexto actual.

Mas não vejo a necessidade dos telejornais abrirem sempre com as mesmas imagens das mesmas pessoas nos mesmos sítios com muito pouca informação adicional. Não ficava espantado se um dia destes nos dessem um n. de telefone (66 cêntimos mais IVA) para votar em qual o refugiado que vai se admitido em Portugal, em cada dia.

Parece que já oferecem empregado a quem for apanhado a ser rasteirado pelos jornalistas de outro canal. Rasteira que claro, foi só para aumentar audiência.

Infelizmente, e nisso não difere muito da Grécia, já se sabe como vai tudo acabar. Com campos de refugiados espalhados pela Europa. Os países podem absolver essa gente até um certo grau, mas depois as eleições se encarregaram de ir retirando do poder os governos que passem um certo limite, sendo que os primeiros a fechar vai causar efeito em cadeia sobre os que ainda o não fizeram. É o efeito avalanche.

Gostava que pudesse ser de outra maneira, mas a realidade é uma coisa muito forte. Tal como na Grécia.

All in all não os piores campos de refugiados do mundo. Afinal vão ser os únicos campos do tipo com cobertura TV 24/7, e isso vai fazer muita diferença sobre a maneira como vão ser tratados. 

Se tenho mede de uma invasão dos fundamentalistas? De modo nenhum. Não sou tão inocente que vá acreditar que são todos terroristas como também não acredito que não exista infiltrações do ISIS da Al Qaeda e provavelmente de mais uns tantos grupos de perigosos maluquinhos. Mas o principal problema vai ser a parte dos refugiados que não vai arranjar um modo de vida e encontraram na religião, e no martírio, uma consolação e uma justificação, para aquilo por que passam.

Enfim, o mundo é um local perigoso e não vejo como umas tantas mortes não vão estar na linha de acontecimento. Só espero que não sejam tecnicamente muito hábeis. Quem dá a liberdade pela segurança acabará a perder as duas.

Por que querem ir todos para a Alemanha (e Reino Unido, e Holanda)? Por que sabem que é aí que podem ganhar algum para pagar as dívidas que deixaram para trás e para poder financiar a vinda de outros. Têm alguns, frequentemente bons, contactos e têm uma visão da realidade que às vezes parece mais sólida que muitos comentadores políticos. Sim, não querem vir para Portugal e os que vierem vão-se passar na primeira oportunidade. Isso passa-se com que tem raízes cá, agora imagine-se para quem não tem.

APROVEITANDO A BOLEIA: curiosa e sobretudo corajosa a decisão do papa de apelar a uma família de refugiados por paróquia. Essa decisão vai ter lições (que ainda não sei quais são, se soubesse não eram lições) - espero só que alguém mantenha uma estatística do assunto.

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